
08.05 - O governo federal decidiu acionar a Polícia Federal (PF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar, identificar e responsabilizar pessoas que espalham fake news sobre a operação de salvamento e atendimento à população do Rio Grande do Sul atingida pelas chuvas. O pedido foi feito pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
“Tem gente trabalhando 24 horas por dia, quatro dias sem dormir. As pessoas colocando a vida em risco para salvar as pessoas. Enquanto isso, há uma indústria de fake news alimentada por parlamentares, por influencers, por pessoas que se dedicam a atrapalhar o esforço que está sendo feito para salvar vidas", criticou Pimenta.
O pedido de investigação foi um desdobramento da reunião de terça-feira da sala de situação montada pelo governo federal, juntando ministros, secretários e autoridades federais para as ações de socorro à população gaúcha. O comandante militar do Sul, general Hertz Pires do Nascimento, relatou o impacto das notícias falsas nas operações de salvamento.
Foram apontadas mentiras sobre retenção de donativos, bloqueio de veículos, transporte de oxigênio, multas contra voluntários e situações de mortes em hospitais. Diante do relato, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, determinou que a AGU e o Ministério da Justiça, que integram a força-tarefa, adotem as medidas para impedir que a disseminação de informação falsa comprometa o trabalho de salvar vidas.
“Estamos falando de vidas humanas, de uma sociedade exposta a uma calamidade dramática. Não permitiremos que um absurdo como esse comprometa toda a organização e a comunicação”, comentou o ministro. O ministro da AGU, Jorge Messias, adiantou que, desde o fim de semana, uma equipe está destacada pra combater as fakes news e ainda na terça-feira as plataformas digitais seriam notificadas.
Ele informou que serão apresentadas ações judiciais com um pedido de retirada de conteúdo, direito de resposta e indenização por dano moral e coletivo. Em paralelo, o Ministério da Justiça também entrará com ações criminais contra quem está promovendo as fakes news.
Sem bloqueio em estradas para comboios
Uma das notícias falsas mais espalhadas trata de uma suposta retenção de veículos de cargas que estão levando doações para os atingidos pelas chuvas no Rio Grande do Sul em rodovias de acesso ao estado gaúcho, como pela BR 101, em Araranguá. Versões da fake news falam de barreiras da Polícia Rodoviária Federal e de multas contra voluntários.
Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esclarece que, neste período emergencial, não está retendo veículos de carga. “Os veículos de carga que passam nas balanças em rodovias que acessam o estado passam por um procedimento simplificado de fiscalização e são liberados para seguir viagem. Não há solicitação de nota fiscal e nem aplicação de multas sobre veículos que transportam donativo”, informa.
Segundo o órgão, os vídeos que circulam na internet afirmando que a ANTT barrou veículos de doações não condizem com a realidade dos fatos. No caso de constatadas eventuais autuações para situações emergenciais, a agência diz que tomará medidas pra anular as penalidades. “A ANTT está empenhada na facilitação da movimentação de cargas, sobretudo gênero de primeiras necessidades, para abastecimento da população atingida pelas chuvas no Rio Grande do Sul”, frisa.
A PRF também emitiu nota desmentindo o bloqueio de veículos com doações. “É mentira que estejamos bloqueando o trânsito de veículos com doações por falta da nota fiscal, ou que estejamos recolhendo reboques com motos aquáticas por falta de habilitação do proprietário”, diz comunicado da PRF de Santa Catarina.
Balanço da tragédia
Segundo o boletim da Defesa Civil do Rio Grande do Sul às 9h desta quarta-feira, o número de mortes devido às chuvas é de 95 pessoas. O estado ainda tem 131 desaparecidos e 372 feridos. O total de cidades impactadas chegou a 414, com 66,4 mil pessoas em abrigos, 159 mil desalojados e 1,4 milhão de pessoas afetadas de alguma forma pelas cheias.
A estimativa das Forças Armadas é que já houve 52 mil resgates. O efetivo mobilizado conta com 9100 integrantes do Exército, 1300 da Marinha e 1390 da Aeronáutica. Os militares atuam diretamente nos municípios mais afetados, entre Encantado, Bento Gonçalves, Eldorado do Sul, Roca Sales, Estrela, São Leopoldo, Pelotas, Canoas, Guaíba, Muçum e Porto Alegre.
Os atendimentos em saúde serão reforçados com a instalação de três novos hospitais de campanha, além de três já montados. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) atua pra liberar 58 pontos de bloqueios em 75 rodovias. As principais frentes são na BR 116 e na BR 290. A situação das cheias ainda é crítica no Rio Grande do Sul. O nível do rio Guaíba só deve descer a partir do dia 12. As cidades perto da Lagoa dos Patos, que recebe a água dos rios inundados, têm alertas de alagamentos.
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