
27.11 – Alunos do 1º ano do Ensino Fundamental Escola Professora Maria Tusnelda Bernstorff, da Rede Municipal de Ensino, visitaram um engenho de farinha, na localidade do Itinga II, de Barra Velha. No local receberam noções da importância da farinha nos pratos típicos da cidade, especialmente o pirão. A iniciativa educativa foi proporcionada pela Escola do Mar.
Os cerca de 60 alunos, com idades entre 6 e 7 anos, dos turnos, matutino e vespertino, foram recebidos pela família Floriano, que mantém viva a tradição de fornear a mandioca raspada e transformá-la na tradicional farinha. Vale lembrar, que a farinha é o elemento principal do famoso pirão, tão presente na gastronomia do litoral-norte catarinense.
Zé Floriano e a esposa Rosângela receberam os alunos da Escola do Mar e na ocasião, no dia de ontem (26), mostraram todo o processo desde o cultivo da mandioca, a chegada no engenho e todo o processamento até virar farinha. A visita também proporcionou aos estudantes experiências enriquecedoras sobre a cultura familiar local.
Os alunos viram todas as etapas até a mandioca virar farinha e a venda do produto. A imersão no processo produtivo permitiu os estudantes a entenderem a cadeia de valor da farinha de mandioca e sua relevância na culinária local.
Após a visita ao engenho, os alunos tiveram a oportunidade de colocar em prática o que aprenderam ao preparar uma receita utilizando a farinha de mandioca. A atividade prática não só reforçou o aprendizado, mas também incentivou a criatividade e a apreciação pela culinária local.
Importância cultural
De acordo com a professora e coordenadora da Escola do Mar, Liziane Tamara Téo, o objetivo principal da visita foi estudar as raízes culturais da região e compreender a importância da farinha nos pratos típicos da cidade, especialmente o pirão.
“Trabalhamos nesta oportunidade, principalmente a farinha, por causa da nossa cultura do pirão, porém as professoras da Rede Municipal de Ensino trabalham outros usos da farinha de mandioca com as crianças. Inclusive fazendo receitas em sala de aula”, ilustrou a professora Liziane.
“A experiência proporcionada aos alunos não só ampliou o conhecimento deles sobre a produção da farinha de mandioca, mas também os aproximou das tradições culturais de sua comunidade, fortalecendo a conexão com suas raízes”, finalizou a professora.
Meu pirão primeiro
O pirão é um prato típico brasileiro feito a partir da mistura de farinha de mandioca com água ou caldo quente. É um acompanhamento muito apreciado e pode ser preparado com diferentes tipos de caldos, como o de peixe, feijão, frango, carne, mandioquinha ou legumes.
O pirão de peixe é uma das versões mais conhecidas e tem origem indígena. Os índios misturavam a água do cozimento do peixe com a farinha de mandioca, resultando no prato que conhecemos hoje.
No Brasil, o pirão pode ser preparado com diferentes tipos de caldos. O pirão mais comum é feito com a mistura da farinha de mandioca com a água em que foram cozidos peixes, formando uma papa viscosa que é comida como acompanhamento do prato principal.
Pirão feito a base de mandioca é um prato tradicional das culinárias de Angola e do Brasil. O termo "pirão" procede do termo tupi mindipi'rõ, que significa "ensopado". Em Angola o pirão possui o nome de funge.
Barra Velha Capital do Pirão
Com o objetivo de promover o turismo na baixa temporada, o então prefeito de Barra Velha, Orlando Nogaroli, junto com o secretário de Turismo, Fausto Rocha Junior e o artista plástico Juarez Machado, criaram a Festa Nacional do Pirão, em 1997. O evento ao logo dos anos se tornou tradicional no litoral-norte de Santa Catarina e acontece anualmente no início do mês de setembro.
Além da gastronomia baseada no pirão de farinha de mandioca e evento conta com música, apresentações folclóricas, de danças tradicionais e shows nacionais de artistas renomados.






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