
O corpo de Alberto Pereira Araújo, de 29 anos, encontrado em uma mala na praia do Santinho, em Florianópolis, estava perto da pousada onde ele e Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, corretora esquartejada, moravam. A informação foi confirmada pela Polícia Civil ontem (20).
Segundo o delegado Alex Bonfim, responsável pela Delegacia de Homicídios, a mala estava “relativamente próxima da pousada” e “há semelhanças entre a execução dos dois crimes”.
Alberto era natural de Laranjal Paulista (SP), mesma cidade na qual o homem suspeito de matar e esquartejar Luciani cometeu um latrocínio, pelo qual estava foragido desde 2022.
As mortes de Luciani e Alberto apresentam semelhanças relevantes e levantam a hipótese de que possam ter sido cometidas pela mesma pessoa. Em ambos os casos, os corpos foram esquartejados de forma parecida e foram abandonados em bairros próximos, Santinho e Ingleses, no Norte da Ilha, em Florianópolis.
O principal suspeito, Matheus Silveira Leite, de 27 anos, morava na mesma pousada de Alberto e Luciani. O ND Mais apurou que Matheus produzia conteúdo “redpill” para as redes sociais, sob um nome fantasia, meses antes de cometer o primeiro latrocínio do qual é acusado, há quatro anos.
O corpo esquartejado em uma mala na praia do Santinho, no Norte da Ilha, havia sido encontrado em 28 de dezembro de 2025. A identificação, porém, ocorreu apenas três meses depois, na última quarta-feira (18).
A confirmação de sua identidade veio através de um processo longo: depois de receber uma foto de que Alberto seria a possível vítima, a PCI-SC (Polícia Científica de Santa Catarina) realizou uma análise pericial sob a estrutura óssea facial do cadáver e identificou-o como sendo Alberto Pereira de Araújo.
Entenda o caso da corretora esquartejada
Luciani era natural de Alegrete (RS) e morava sozinha em uma pousada na região norte de Florianópolis, no bairro Santinho, onde trabalhava como corretora de imóveis. Ela foi vista pela última vez em 5 de março de 2026, quando teria desaparecido de seu apartamento.
Nos dias seguintes ao desaparecimento, familiares começaram a desconfiar de que algo havia ocorrido. Isso porque receberam mensagens enviadas do celular da corretora com erros de português, considerado incomum pela família, o que levantou a suspeita de que outra pessoa estivesse se passando por ela.
Diante disso, a família registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento na segunda-feira (9). Ainda no dia 9 de março, moradores da cidade de Major Gercino, a cerca de 100 quilômetros da capital catarinense, avistaram partes de um corpo em um córrego na zona rural do município. A Polícia Militar foi acionada em 11 de março, quando o corpo foi retirado do local e encaminhado para perícia.
Enquanto isso, as investigações avançavam em Florianópolis. A polícia descobriu que, após o desaparecimento de Luciani, compras online estavam sendo realizadas com os dados e cartões da vítima. A retirada das mercadorias foi feita por um adolescente de 14 anos que morava no mesmo residencial que a corretora.
Parte dos pertences de Luciani, como notebook e outros objetos, foi encontrada escondida em um apartamento desocupado do condomínio, que pertencia à mulher de 47 anos.
Com isso, três pessoas foram presas: uma mulher de 47 anos, inicialmente por receptação de bens da vítima, além do homem de 27 anos e da companheira dele, de 30 anos, que foram localizados e detidos em 12 de março, na cidade de Gravataí (RS), após deixarem Santa Catarina. Eles eram vizinhos da corretora esquartejada.
O homem de 27 anos usava um nome falso e estava foragido da Justiça de São Paulo, suspeito de participação em um latrocínio ocorrido em 2022 na cidade de Laranjal Paulista.
Segundo a investigação, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março, possivelmente dentro do próprio apartamento onde morava. O corpo teria permanecido no local até a madrugada de 7 de março, quando foi retirado e posteriormente esquartejado antes de ser descartado na área rural de Major Gercino.
Até o momento, a Polícia Civil continua investigando a dinâmica exata do crime, onde ocorreu o homicídio, como o corpo foi transportado e qual foi a participação de cada suspeito.
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