
Uma situação de abandono animal voltou a gerar indignação na região Norte de Santa Catarina neste fim de semana. A ativista Michele Faria Guzak relatou ter encontrado um cãozinho abandonado na região do rio Itapocu, em Araquari. Segundo ela, o animal teria vindo do município vizinho de Barra Velha.
De acordo com Michele, o cão possui um microchip de identificação — ferramenta que deveria facilitar a localização do tutor responsável. No entanto, ela afirma que não conseguiu acessar os dados vinculados ao dispositivo. “Esse chip não é de Araquari, e da última vez que pedi informações para Joinville, não quiseram me passar. A cachorrinha que eu resgatei na ocasião continua no meu abrigo”, desabafou a ativista. Segundo ela, o setor responsável em Joinville alega que não passa informações porque elas seriam "sigilosas", mesmo Micheli tendo um amplo trabalho conhecido na causa animal em Araquari.
A ativista questiona a efetividade do sistema de identificação animal, que, na prática, deveria garantir a responsabilização dos tutores em casos de abandono. “Gostaria que alguém me provasse que o papel do chip é realmente respeitado. Ter números e não ter informações é mais uma palhaçada”, criticou.
Michele também destacou as dificuldades enfrentadas por protetores independentes, que frequentemente assumem funções que seriam do poder público. Segundo ela, a capacidade de acolhimento chegou ao limite. “Ele vai continuar na rua, porque não vou mais fazer o papel do poder público e ficar me entupindo de cachorro e contas para pagar. Infelizmente, não consigo sustentar os animais somente com amor”, afirmou.
O caso reacende o debate sobre políticas públicas de proteção animal, fiscalização do abandono e a real eficácia dos sistemas de identificação por microchip, que, embora amplamente divulgados como solução, ainda enfrentam entraves no acesso às informações e na responsabilização dos tutores.




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