
Ilhota, cidade de 17 mil habitantes no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, vem enfrentando problemas com o maruim, um tipo de mosquito cuja picada causa irritação na pele, coceira e pode transmitir doenças como a Febre do Oropouche.
Uma das áreas mais afetadas é a região do Braço do Baú, segundo a prefeitura. Quem convive com a infestação relata casas de portas e janelas sempre fechadas - além de ventiladores ligados para dar conta do calor.
Após provocar o caos entre moradores de Luiz Alves, agora o maruim virou pesadelo na rotina de quem vive na vizinha Ilhota. A infestação de maruim em Ilhota é uma questão crônica, contam moradores do Braço do Baú, principal região afetada na cidade. Nos últimos tempos, porém, o problema ficou ainda maior.
Quem não consegue escapar dos maruins carrega no corpo as inúmeras picadas. Pode parecer um problema doméstico de cidade de interior, mas os reflexos são sentidos nas empresas. O empreendedor Rafael Pelz, por exemplo, conta que já viu funcionário pedir demissão para mudar de cidade por causa da alergia do filho à picada do mosquito.
Problema surgiu após tragédia de 2008
A agricultora Tatiana Reichert conta ter percebido o problema logo após a tragédia de 2008. “Como o maruim se procria na decomposição orgânica, depois da tragédia ele teve muito material para se procriar e não tinha mais o predador. E de para cá, a situação só tem se tornado insustentável. A gente já está há muito tempo lutando, há muito tempo correndo atrás” afirma.
A prefeitura de Ilhota diz que fatores como o desmatamento após a tragédia, além do calor e da umidade, podem ter contribuído para o aumento da infestação nos últimos anos. O governo local pontua que faz ações com larvicida biológico em outros tipos de mosquito, mas que não têm o mesmo efeito sobre o maruim.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Diego Maicon Scheis, a prefeitura está em contato com pesquisadores de Luiz Alves para tentar implementar testes com um novo larvicida na região. A ideia é iniciar a aplicação em espaços públicos, como escolas e unidades de saúde, assim que houver liberação legal da Anvisa, o que pode ocorrer no segundo semestre deste ano.
O larvicida — que mata as larvas do inseto — foi desenvolvido com substâncias naturais e tecnologia que faz com que o produto libere os componentes durante um mês. O inseto (Culicoides spp.), também associado à transmissão da Febre Oropouche, foi combatido com sucesso no ano passado.
Os resultados foram apresentados no final de janeiro e a redução de 86% é confirmada nos relatos dos habitantes, comenta o coordenador do projeto, Jean Carlos Hoepfner:
Como age o mosquito?
Em 2024, quando a vizinha Luiz Alves decretou situação de emergência por causa do mosquito, o professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que a picada do inseto causa irritação na pele e há risco de transmissão de doenças.
"Da mesma forma que o mosquito da dengue e da malária, somente as fêmeas picam. A picada serve como suplemento alimentar para a fêmea produzir ovos. Só consegue gerar descendentes depois de picar alguém", explicou o professor.
Ele destacou que as picadas do maruim podem ser maléficas de diversos jeitos. "O mais comum, mais claro é o incômodo que ela causa, essa queimação na pele, ardência bem incômoda mesmo".
Nas pessoas, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche, doença facilmente confundida com a dengue no seu diagnóstico. Entre os sintomas, ele destaca dor nas articulações e febre.




Encontro de cadáver Corpo em decomposição é encontrado no rio Itajaí-açu em Ilhota
Acidente fatal Homem morre em acidente entre carro e moto em Ilhota
Furto de fiação Polícia Militar apreende meia tonelada de fiação furtada em Ilhota
Mín. 15° Máx. 24°

