
A Polícia Civil de Santa Catarina fez, na manhã desta quinta-feira, a operação Dose Extra para combater fraudes e superfaturamento no plano SC Saúde, que atende servidores estaduais. O prejuízo estimado chega a R$ 6 milhões.
Segundo a investigação, cirurgias que custariam cerca de R$ 29 mil foram cobradas por até R$ 600 mil. O objetivo da operação foi desarticular uma organização criminosa suspeita de montar um esquema envolvendo procedimentos cirúrgicos.
Não há participação de servidores públicos. A maior parte das fraudes foi em Florianópolis, com alvos também em Palhoça e Joinville, além de cidades de outros estados, como Belo Horizonte e Uberlândia, em Minas Gerais, Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e no Tocantins.
A operação contou com apoio das delegacias especializadas da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), da Cecor (Coordenadoria Estadual de Combate à Corrupção) e das Decor (Delegacias Especializadas no Combate à Corrupção), além das polícias civis de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
As investigações começaram após auditoria do governo de Santa Catarina identificar irregularidades no SC Saúde. Os dados foram repassados à Polícia Civil, que deu continuidade ao caso.
Relatório técnico apontou indícios de fraude em cirurgias de coluna por via endoscópica. O grupo investigado é formado por médicos, empresários e advogados sem vínculo com o corpo de servidores do plano.
De acordo com a polícia, os fraudadores utilizavam a administração do plano para judicializar pedidos de cirurgias. Nos processos, eram apresentados valores inflados de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs), acima dos preços de mercado.
Para simular concorrência, os envolvidos indicavam diferentes fornecedoras, o que ajudava a esconder o superfaturamento.
Até agora, a análise de 33 procedimentos aponta prejuízo de até R$ 6 milhões aos cofres públicos. Em um dos casos, uma cirurgia avaliada em R$ 29 mil foi cobrada por R$ 600 mil. A Polícia Civil informou que os valores são de junho de 2025 e podem aumentar com o avanço das investigações.
Durante a operação, foram apreendidos 35 veículos, duas motos aquáticas e um barco. Os bens e valores dos investigados foram bloqueados até o limite de R$ 10 milhões. Também foram impostas medidas cautelares que proíbem cinco empresas de contratar com o governo de Santa Catarina.
Todo o material apreendido será periciado pela Polícia Científica e analisado pela Decor/Deic, que segue com a investigação.



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