Sexta, 25 de Setembro de 2026
19°

Parcialmente nublado

Penha, SC

Geral Venda proibida

Toxina perigosa suspende venda de moluscos em Penha

Com níveis 5x acima do permitido, produção de moluscos é suspensa em Penha e setor pode acumular prejuízo de até R$ 300 mil. Consumo de moluscos contaminados por ácido pode provocar um quadro de intoxicação alimentar.

30/04/2026 às 15h52
Por: Carneiro News
Compartilhe:
Foto/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Reprodução/Redes Sociais

A produção e venda de moluscos estão suspensas na região de Penha após a detecção de níveis elevados de ácido ocadaico em amostras analisadas pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina).

Esta interdição atinge a área de Armação do Itapocoróy, principal polo de cultivo de ostras e mexilhões do município, e ocorre às vésperas do feriado do Dia do Trabalhador, que é considerado um período de alta demanda para o setor.

Toxina está presente 5 vezes mais que o permitido no local

O laudo mais recente apresentado pela Cidasc aponta 833,8 µg/kg da toxina, valor mais de cinco vezes superior ao limite permitido, que é de 160 µg/kg.

“Tem um impacto inegável, ainda mais nesse período de feriado. Fica difícil de valorar aí de maneira geral, mas certamente chega num valor considerável. Tranquilamente passa dos R$ 200, 300 mil de maneira indireta. Porque o marisco também é um produto que movimenta a economia de pescados aqui em Penha”, explica Gilberto Manzoni, coordenador da área de maricultura no curso de Oceanografia da Escola Politécnica da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).

Além dos produtores, a suspensão afeta diretamente pontos de venda, restaurantes e o consumo turístico, já que o marisco é um dos principais produtos gastronômicos locais.

A contaminação está associada à microalga Dinophysis acuminata, que ocorre naturalmente no litoral catarinense e pode se proliferar em condições ambientais específicas, como após a chegada de frentes frias. Segundo o especialista, essas algas são mais oceânicas e, ao atingirem áreas costeiras com alta carga de nutrientes, encontram ambiente propício para multiplicação.

“Então, cumprindo normativos internacionais, quando chega nesse nível mais elevado, que tem na tabela e está passando cinco vezes a concentração agora do que o nível permitido, é interrompido o comércio de moluscos aqui nos locais que estão identificados”, complementa Manzoni.

Moluscos acumulam toxina no tecido ao se alimentar

Como os moluscos são organismos filtradores, eles acabam acumulando a toxina no tecido ao se alimentar. A liberação da área depende da redução natural dessa concentração, processo que ocorre gradualmente.

O protocolo sanitário determina que, após um resultado positivo, a área permanece interditada até que sejam obtidos dois resultados consecutivos negativos, informação reforçada pelo especialista ao destacar que um único resultado positivo já é suficiente para suspender imediatamente a comercialização.

Quais são os efeitos de contaminação com a toxina?

O consumo de moluscos contaminados por ácido ocadaico pode provocar um quadro de intoxicação alimentar aguda, com início rápido dos sintomas, geralmente entre cerca de 30 minutos e horas após a ingestão. As manifestações mais comuns incluem diarreia intensa, náuseas, vômitos e dores abdominais.

A exposição à toxina também pode trazer riscos mais amplos à saúde. O ácido é classificado como um potente promotor de tumores e há evidências científicas que associam a substância a impactos neurológicos, como comprometimento da memória e possível relação com processos neurodegenerativos.

Maioria das áreas de cultivo em SC seguem liberadas

Apesar do cenário em Penha, o mapa atualizado da Cidasc mostra que a maioria das áreas de cultivo em Santa Catarina segue liberada, incluindo regiões como Bombinhas e áreas de Florianópolis. O caso, portanto, é considerado localizado, embora com forte impacto econômico regional.

As análises são realizadas em laboratório vinculado ao Ministério da Agricultura, e o monitoramento contínuo é apontado como essencial para garantir a segurança alimentar. Conforme explicado, mesmo quando há interdição, o sistema demonstra eficiência ao evitar que produtos fora do padrão cheguem ao consumidor.

A expectativa agora é pela intensificação das coletas nos próximos dias para verificar a redução da toxina e permitir, o quanto antes, a retomada da atividade.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.