
■ Crise nunca antes vista
Fato político mais importante (e impactante) da semana, a prisão do prefeito Tiago Baltt (MDB), no âmbito da Operação Regalo, do Gaeco e do Ministério Público, abalou não só Balneário Piçarras, mas toda a região. Político avaliado e aprovado com índices que facilmente superavam os 70%, Tiago agora está no presídio da Canhanduba, e seu município enfrenta uma crise nunca antes vista no meio político — nem mesmo quando houve o afastamento, por parte da Justiça, do prefeito Carlos Jaime de Andrade (MDB), o Neneco, já falecido.
■ Reconfigurando a rota
Andressa Pera, a toda-poderosa primeira-dama de Balneário Piçarras, também em escala ascendente como promessa estadual do partido numa eleição à Assembleia Legislativa, agora se vê forçada a reconfigurar seus planos pessoais e políticos, devido não só ao impacto da prisão do marido em âmbito partidário, mas sobretudo familiar. Em vídeo, na primeira aparição após a Operação Regalo, ela pediu a eleitores e militantes que não ajam com “conclusões precipitadas”. Mas, no fundo, sabe que o impacto de uma dura acusação de corrupção contra Baltt refletirá nesses planos.
■ Teorias da conspiração
Em Balneário Piçarras também circulam várias teorias da conspiração sobre o que teria motivado a operação do Gaeco. Os indícios são de superfaturamento nas obras da orla norte da cidade, com supostos valores de propina de 3% em contratos assinados não só em Piçarras, mas também em São João Batista, onde parte do esquema também teria se desenvolvido.
■ Não acredito
A mais forte dessas teorias — na qual eu não acredito e já explicarei por quê — é a de que, supostamente, o governador Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição, teria agido nos bastidores com apoio do deputado Ivan Naatz para “botar água no chope” da família Baltt, ao perceber um suposto avanço nas pesquisas de seu principal adversário até aqui, João Rodrigues (PSD), que chegou a aventar Andressa como candidata a vice-governadora numa coligação PSD-MDB-PP-União Brasil.
■ Graúdos soltos
A teoria segue apontando que Jorginho teria suposta influência junto ao MP e ao Gaeco, visando “derrubar” adversários. A fonte da teoria citou o recente escândalo de corrupção na prefeitura de Blumenau como exemplo: mesmo com valores muito mais altos supostamente desviados, não houve um único político graúdo preso — talvez porque o comando da prefeitura, à época dos desvios, era do PL (que, aliás, segue no poder), partido de Jorginho.
■ Relação respeitosa
Alinhei à minha fonte que não acredito nessa teoria da conspiração. Primeiro, porque Tiago e Andressa sempre tiveram relação respeitosa com Jorginho. Apesar de Tiago, por fidelidade partidária, ter apoiado Carlos Moisés na eleição anterior — em que o bombeiro sequer chegou ao segundo turno, perdendo para Décio Lima (PT) —, Tiago aproximou-se do governador nos anos seguintes.
■ 29 bolsonaristas presos
Em segundo, entendo que, se Jorginho tivesse realmente força de bastidores para influenciar MP e Gaeco, não teria visto, nos últimos anos, operações anticorrupção fazerem verdadeiro “barba, cabelo e bigode” em prefeitos ligados ao bolsonarismo pelo Estado. Desde 2020, foram 30 prefeitos presos — a maioria do PL, PP, PSD e MDB, todos alinhados ao bolsonarismo, menos uma: a prefeita de Ipuaçu, que era (ou é) do PT.
■ Vive de lacração
Terceiro: não vejo Ivan Naatz como adversário de Baltt na região. Nunca se expressou nesse sentido. Naatz é um político de rede social, vive de lacrações na internet. Mas, quando pôde, enviou recursos para Piçarras, sempre mantendo relação cordial com Baltt.
■ Medo do Merisio
Em quarto: também não vejo João Rodrigues — seja com Andressa Pera ou com Carlos Chiodini numa eventual candidatura a vice-governador — ameaçando Jorginho nas pesquisas dos últimos meses. Rodrigues, a esta altura, deve estar mais preocupado com o possível avanço de Gelson Merisio (PSB), que pode captar votos da mesma esquerda que levou Décio ao segundo turno em 2022 e, em tese, chegar ao segundo lugar, o que seria fatal para futuros projetos políticos de Rodrigues, assim como a terceira posição foi para Mauro Mariani (MDB), em 2018.
■ Tiago superou
Agora, precisamos nos ater ao fato de que este é, como disse no início, o momento mais triste de Balneário Piçarras em sua trajetória política. A cidade nunca antes teve um prefeito atrás das grades. E isso me entristece, pois Tiago não é apenas um político acessível e popular: foi realmente realizador. Piçarras veio de outros dois bons prefeitos — Leonel Martins (PSDB) e Umberto Teixeira (PP) —, mas Tiago os superou em ações.
■ Rouba, mas faz?
Evidente, porém, que boas ações não são salvo-conduto para corrupção. O Brasil precisa superar a ideia do “rouba, mas faz”, tão associada a Paulo Maluf (PP), outro “filhote da ditadura”, como diria Leonel Brizola (PDT). Tiago deve explicações à Justiça e ao povo de Balneário Piçarras. Caso seja comprovadamente culpado, que pague por seus erros — ele e a eventual organização criminosa que possa ter se instalado ao seu redor.
■ Sensação indigesta
Também é importante frisar que, diante de mais uma operação do Gaeco e de mais um esquema revelado, o que permanece no eleitorado é uma sensação indigesta: “será que ninguém mais se salva?”. Isso é triste, desalentador e contribui para o enfraquecimento da democracia, favorecendo discursos autoritários no Brasil e no mundo.
■ Telegoverno
Ricardo Ventura (PP), novo prefeito de Navegantes, vem se diferenciando bastante do estilo do antecessor — e criador político — Liba Fronza (PSD). Mostra habilidade diante das câmeras e faz um verdadeiro “telegoverno”, ao gosto das redes sociais. Em geral, acerta o tom, anunciando informações úteis, mostrando obras e dialogando com moradores. Em outras ocasiões, posa de “xerife”, no melhor estilo lacrador. Tomara, entretanto, que haja entregas suficientes para justificar o discurso dos vídeos.
■ 55 na área
O PSD de Penha demonstrou força nesta semana ao promover encontro com mais de 30 lideranças para estruturar apoio às candidaturas à reeleição do deputado estadual Napoleão Bernardes e de Júlio Garcia, agora pré-candidato a deputado federal. O encontro foi articulado pelo ex-prefeito Evandro Eredes (PSD), com presença de lideranças regionais, como Fábio Emitério, de Balneário Piçarras, e do prefeito Daniel Cunha, de Barra Velha.
■ Causa animal
Navegantes ganhará um veículo adaptado para atendimento da Secretaria de Atenção e Cuidado Animal. A aquisição foi confirmada pela ex-vereadora e ex-secretária Sorilei Dapper, a Sol. O veículo será comprado com recursos destinados pela deputada estadual Paulinha (Podemos).
■ Rubinho é atacado
A votação de um projeto de lei aprovado por oito votos na Câmara de Vereadores de Barra Velha gerou ataques ao parlamentar Rubens Francisco, o Rubinho (PL), por conta de sua abstenção. O projeto, do vereador Basílio Silva (Podemos), prevê a obrigatoriedade de prestação de contas dos secretários municipais.
■ Já tinha oito votos
Neste caso, fui às redes defender Rubinho dos ataques. Ele estava correto em sua posição. Poderia, claro, ter votado contra, embora a proposta já contasse com oito votos favoráveis. Rubinho argumentou que a própria Lei Orgânica já prevê mecanismos para convocação de secretários municipais ao Legislativo, inclusive com sanções em caso de ausência.
■ Maria vai com as outras
O fato é que não precisamos de vereadores “Maria vai com as outras”, que votem favoravelmente a tudo apenas por cortesia ou troca de favores. O esclarecimento de Rubinho foi correto: a Câmara já possui instrumentos legais para convocar secretários a prestar contas.
■ Expressão vaga
Também acertadamente, Rubinho apontou o uso da expressão “poderá” no texto do projeto como problemática, já que o termo transmite imprecisão, hipótese ou possibilidade vaga, enfraquecendo a objetividade e a assertividade do texto legal.
■ Boa intenção
Não duvido da boa intenção do vereador Basílio, mas, nesse caso, faltou assessoria jurídica na elaboração da proposta. O mais adequado talvez fosse uma emenda à Lei Orgânica, fixando prazos para eventual convocação de secretários — o que, ainda assim, exigiria ampla análise jurídica quanto à legalidade e viabilidade.
■ Preconceito
Rubinho ainda foi atacado de forma rasa e preconceituosa por atuar como cabeleireiro. Mas ele é, de fato, cabeleireiro — e dos bons. Infelizmente, muita gente trata a internet como um boteco onde se pode dizer qualquer coisa sem consequências legais.
⬆️ Sobe
A série de entrevistas com os pré-candidatos a deputado do litoral norte no DIARINHO. Importante apoio para quem quer escolher o voto. Um diferencial foi a entrevista com Edson Piriquito (Republicanos), ex-prefeito de Balneário Camboriú de olho numa vaga na Alesc. Enumerou propostas, mas não poupou o velho enfrentamento com Leonel Pavan (PSD). Segundo Piriquito, Pavan “é estúpido, grosso e intimidador”.
⬇️ Desce
A demora na liberação de recursos das emendas dos vereadores de Penha aos destinatários. O vereador Luiz Vailatti, o Ferrão (União Brasil), reclamou — e com razão. Ele destinou verba para melhorias na Escola Profissional Zilda Lucki da Silveira e, até agora, nada de liberação. “Te aligera”, Luizinho!
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