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Policial Cárcere privado

Resgate de mulher em Benedito Novo expõe horrores vividos sob o teto do próprio pai por 40 anos

Caso chocante veio à tona nesta semana e polícia apura crimes cárcere privado e trabalho análogo à escravidão.

23/05/2026 às 11h30
Por: Carneiro News
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Foto/Governo Federal/Divulgação
Foto/Governo Federal/Divulgação

O resgate de uma mulher de 43 anos no município de Benedito Novo expôs o horror vivido pela filha sob o teto do próprio pai. Ela foi ouvida por uma equipe do governo federal especializada em casos de pessoas em situação de escravidão doméstica nesta semana e revelou agressões e proibição de ir até mesmo ao médico. O caso chocou a pequena cidade de pouco mais de 10 mil habitantes.

Com uma boneca no colo, usada quase como um amuleto de proteção, e uma sacola plástica com itens pessoais nas mãos, a mulher de aparência frágil e comportamento infantil foi retirada da casa e levada para um abrigo. As autoridades tentam entender se ela nasceu com alguma dificuldade de comunicação e aprendizado não tratada ou se o quadro é resultado de anos de maus-tratos e segregação.

Quando a equipe chegou ao imóvel, em uma área rural, encontrou resistência do pai em deixar que falassem com a mulher. Os agentes chegaram a ser ameaçados com uma faca e a polícia precisou ir ao local. Quando fizeram contato com a vítima, ouviram dela que só podia falar com eles se o pai autorizasse. Foi preciso tempo para que a filha contasse o que vivia dentro da residência.

Ela revelou ter sido agredida pelo pai, mas via a situação como “normal”. Contou ainda que chegou a usar creolina, normalmente aplicada em animais, para tentar dar fim à dor no único dente existente na boca. Era também proibida de ir ao médico e obrigada a fazer todos os serviços da casa sozinha. A mãe morreu em 2024, segundo as autoridades, e desde então viviam só ela, o pai e um irmão.

A Justiça emitiu uma medida protetiva para que o pai não se aproxime dela. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar eventualmente os crimes de cárcere privado e trabalho análogo à escravidão. O homem responde em liberdade. Fotos mostram o cenário encontrado pelos fiscais durante o resgate.

Por: Talita Catie/NSC

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