
O empresário José Clemir Spinelli, de 54 anos, foi um dos presos na operação “Pão e Circo” do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e da Polícia Civil na manhã desta terça-feira (7). Nas redes sociais, ele ostentava fotos com artistas de renome, como Israel & Rodolfo, João Neto & Frederico e o cantor Luan Pereira.
Clemir Spinelli é dono da Spinelli Produções, vencedora de diversas licitações para promoção de shows tradicionais principalmente em cidades do interior catarinense. Nas redes, ele também mostrava a rotina com a família, com viagens internacionais. Ele foi preso em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina.
A reportagem entrou em contato com a Spinelli Produções, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. A reportagem também tenta localizar a defesa de Clemir Spinelli. O espaço segue em aberto.
Clemir já foi candidato a deputado federal por Santa Catarina pelo partido PSB em 2022, mas teve 437 votos e não foi eleito. O empresário é um dos suspeitos de integrar um cartel que teria estruturado e colocado em prática um esquema de fraude em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional.
As fraudes, conforme o Ministério Público, eram acompanhadas pelo pagamento e recebimento de propina por empresários e agentes públicos para viabilizar o esquema, além da lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades.
Apesar do empresário aparecer ao lado dos artistas citados, a investigação deixa claro que as irregularidades aconteciam nas licitações para a realização dos eventos, e não com os shows específicos.
Mandados são cumpridos em 18 cidades catarinenses
Em Santa Catarina, os mandados estão sendo cumpridos em casas e órgãos públicos de:
No Rio Grande do Sul, um mandado também está sendo cumprido, na cidade de Porto Alegre. Como a investigação envolve pessoas com foro por prerrogativa de função, as medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Bloqueio de R$ 9 milhões em bens
Diversas medidas judiciais foram tomadas contra agentes públicos, ex-agentes públicos, empresários e outros investigados. Foram bloqueados cerca de R$ 9 milhões em bens e valores para garantir “eventual reparação ao erário”, conforme o Ministério Público.
Além disso, também foram aplicadas medidas cautelares como afastamento de funções, restrições para contratar com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e de contato entre investigados e testemunha.
A investigação tramita em sigilo.
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