
A Terceira Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) estabeleceu que juízes podem definir, na própria sentença de pensão alimentícia, um valor ou percentual alternativo, calculado sobre o salário mínimo, para ser aplicado caso o responsável pelo pagamento fique desempregado ou passe a trabalhar na informalidade. A medida busca evitar a necessidade de abrir um novo processo judicial a cada mudança no trabalho formal do pagador.
O caso começou em uma ação de revisão de pensão que tramitou na Justiça de Santa Catarina. Em primeira instância, o juiz definiu o pagamento em 20% dos ganhos líquidos para quando houvesse trabalho com carteira assinada e em 54% do salário mínimo em caso de desemprego. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve os 20%, mas retirou a regra do desemprego por entender que a decisão não poderia tratar de uma situação futura que ainda não havia acontecido. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recorreu ao STJ para pedir a volta da regra definida no início do processo.
Motivos da decisão do STJ
Ao analisar o recurso do MPSC, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, explicou que incluir regras para a perda do emprego não significa decidir sobre um evento incerto. Como a obrigação de pagar a pensão é contínua e a perda do trabalho formal é um fato que pode ser comprovado de forma simples, o cálculo apenas se adapta à realidade de quem paga.
A decisão teve como base a busca por mais rapidez na Justiça e a proteção aos direitos do dependente. Sem essa regra para situações de desemprego, quem depende da pensão ficava sem uma referência direta para cobrar os valores e a Justiça precisava abrir novos processos para resolver o mesmo problema repetidamente.
Como funciona e quais são os limites
O percentual de 54% do salário mínimo vale apenas para o caso específico julgado em Santa Catarina. Em outras ações, os juízes continuam avaliando de forma individual as necessidades de quem recebe e as condições financeiras de quem paga para determinar as quantias de cada caso.
O entendimento do STJ serve como orientação para varas de família de todo o país na elaboração de novas sentenças e acordos. Decisões antigas que foram fechadas sem essa previsão não mudam automaticamente, sendo necessário fazer um pedido à Justiça caso a pessoa queira atualizar as regras.
A orientação junta-se a outras mudanças recentes no setor, como a Lei 15.479/2026, conhecida como Lei do Pix Pensão, que criou a transferência bancária automática para pagamentos definidos pela Justiça. Enquanto a nova lei trata da cobrança e do repasse do dinheiro entre contas bancárias, a decisão do STJ trata de como calcular o valor da pensão logo no julgamento.
Justiça Conselho do MPF forma maioria para manter Gonet no caso Master
Justiça Financiador do filme Dark Horse recebeu dinheiro do crime organizado
Justiça Trama golpista: defesa de Bolsonaro desiste de suspensão da pena Mín. 15° Máx. 24°

