
Quase três décadas depois do assassinato de José Lídio da Costa, o popular Zé Lídio, familiares e amigos de Penha, em Santa Catarina, vivem a expectativa de um desfecho para o crime que marcou toda uma família. A morte do ex-vereador de Armação do Itapocorói, Penha, deve ter o desfecho relativo à esperada condenação do assassino no próximo dia 1º de setembro, quando o homem acusado de sua morte será submetido a júri popular na comarca de Comodoro, no Mato Grosso (MT).
Pai do ex-prefeito de Penha Aquiles da Costa (MDB), Zé Lídio deixou Santa Catarina no final dos anos 90 em busca de novas oportunidades, e passou a morar em Pontes Lacerda, no Mato Grosso. O assassinato aconteceu em 3 de maio de 1998, Nova Lacerda – as duas cidades com nomes parecidos são próximas. Aquiles ainda era criança e, junto da irmã e da mãe, estava com o pai no dia do crime.
Segundo ele, Zé Lídio foi atingido por três tiros durante uma emboscada. O pano de fundo seria uma desavença por extração de palmitos, pois ambos eram comerciantes concorrentes no ramo. A família ainda o levou ao hospital, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Para a família, a demora de quase 30 anos para que o réu chegasse ao tribunal do júri esteve relacionada principalmente às sucessivas mudanças de endereço dele. “Ele foi mudando de cidade em cidade e a justiça teve muita dificuldade para cumprir as notificações e todos os requisitos do processo. Isso acabou levando o caso para uma dimensão inimaginável”, contou Aquiles ao Diarinho.
Agora, Aquiles e a irmã – que mora na Nova Zelândia – serão ouvidos como testemunhas. A família será acompanhada na acusação pela advogada Samantha Andrade, de Balneário Piçarras, em conjunto com o Ministério Público do MT.
Campanha chegou à internet
Além da expectativa pelo julgamento, familiares resolveram criar uma campanha virtual no Instagram. Em junho deste ano, surgiu a página “Justiça por Zé Lídio”, reunindo fotografias, depoimentos de amigos e familiares, além de muitas lembranças do ex-vereador.
A iniciativa pretende apresentar aos jurados um aspecto que não aparece necessariamente nos autos: quem era a vítima. São cerca de 40 depoimentos na página @justicaporzelidio – entre elas, o do jornalista Vilmar Carneiro. “O Zé foi um homem íntegro, um vereador que lutou por Armação e um grande desportista. Éramos adversários no futsal, ele pelo Trovão Azul e eu pelo Flexa Negra”, contou Vilmar ao Diarinho.
Outro amigo é Gentil Serpa Filho, o Tilinho, que compartilhou a infância com Zé Lídio, e sob a liderança dele lutou pela reativação do Beira Mar Esporte Clube nos anos 80. O time estava desativado mesmo após ser campeão da Liga Itajaiense de Desportos (LID) e Lídio encabeçou a retomada das atividades esportivas.
A campanha virtual segue ainda com outros depoimentos, como os de amigos como Márcio Medeiros, Nicélio da Costa, Júlio Aragão, Arlete Flores e de dona Marta Maria Schmidt, entre outros, além da mãe, dona Maria de Lourdes da Costa.
Morte e tragédia
“Mais do que um número de processo ou o nome da vítima, estamos falando de uma pessoa muito boa, que ajudou muita gente, que amava o próximo e sempre contribuiu com quem passou pelo caminho dele”, afirma Aquiles.
Trechos dos depoimentos serão apresentados durante o julgamento. Segundo Aquiles, a intenção é preservar a memória do pai e permitir que os jurados conheçam sua trajetória além das informações formais do processo, que pode pôr fim a estes 28 anos de espera.





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