
Um morador de Penha denunciou à polícia a circulação de um Volkswagen Polo branco com dois adesivos contendo simbologia associada ao nazismo. Esse veículo foi visto por volta das 16h20 do último dia 20 de agosto, na avenida Eugênio Krause, entre o Centro e a praia de Armação.
Segundo o morador, que registrou boletim de ocorrência denunciando o caso, os adesivos reproduziam uma representação da Reichsadler, águia utilizada como símbolo oficial durante o regime nazista, com uma coroa de louros e uma Cruz de Ferro. Como o carro estava em movimento, o denunciante não conseguiu registrar a placa.
O morador, que pede para não ter o nome divulgado, conta que tinha saído para ir à academia quando percebeu os adesivos e decidiu registrar um boletim de ocorrência. “Dias depois, policiais entraram em contato comigo para ter mais informações e fazer a identificação do veículo por meio de câmeras de monitoramento”, contou ao Diarinho.
Segundo o denunciante, no mesmo dia o carro foi localizado e policiais foram até a casa do dono. Ele afirma que recebeu a informação de que nenhuma providência seria adotada porque a suástica teria sido substituída pelo logotipo da Volkswagen.
A situação, segundo ele, seria semelhante à de uma Kombi que circulou por Florianópolis com símbolo associado ao nazismo em 2022. Na ocasião, a situação foi denunciada à Associação Israelita Catarinense, que encaminhou o caso às autoridades.
E este não é o primeiro registro do tipo em Penha. Nos anos 2000, a moradora F. R. fotografou uma bandeira nazista numa moradia de Penha. O caso ganhou repercussão na extinta rádio Aquarela FM à época.
E mais recente, em março deste ano, um morador da praia do Gravatá de Navegantes foi também denunciado por esse tipo de apologia. Uma operação da polícia apreendeu um celular, capacete preto com símbolo semelhante à suástica, camisetas escuras com estampas e inscrições e outros objetos na residência do acusado.
Recorde em células nazistas
O episódio do Polo também evidencia não ser isolado porque Santa Catarina se tornou referência nacional na presença de grupos neonazistas. Levantamento da pesquisadora Adriana Dias apontou 320 células em Santa Catarina em 2022, mais de um quarto das 1117 identificadas no Brasil naquele período.
Embora São Paulo tivesse mais grupos em números absolutos, Santa Catarina apresentava a maior concentração proporcional à população. Os dados, segundo apurou o Diarinho, não constituem um cadastro oficial de células, mas são utilizados em estudos sobre a expansão do extremismo no Brasil.
A presença de simbologia nazista em espaços públicos catarinenses não é um fenômeno isolado. O Estado registra episódios que incluem grupos investigados por neonazismo, manifestações de apologia e a circulação de símbolos associados ao regime de Adolf Hitler.
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