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Com multa de R$ 200 mil por licença, MPF aciona Justiça para barrar prédios de 30 andares que fazem sombra em Barra Velha

Ministério Público Federal pede cancelamento de licenças de construções na orla de Barra Velha, no Litoral Norte, e multa de R$ 200 mil por novas autorizações irregulares.

15/09/2026 às 16h25
Por: Carneiro News
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Foto/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Reprodução/Redes Sociais

O MPF (Ministério Público Federal) entrou com uma ação pública contra a Prefeitura de Barra Velha e a Fundema (Fundação Municipal do Meio Ambiente) para impedir danos ambientais à orla e sombreamento da praia causados por grandes construções.

A ação pede o cancelamento de licenças de empreendimentos que apresentem irregularidades. O órgão solicitou que a Justiça estabeleça multa de R$ 200 mil para cada nova licença emitida e multa diária de R$ 10 mil caso a licença não seja cancelada.

A ação envolve o cancelamento de licenças concedidas a empreendimentos que provoquem sombreamento sobre a vegetação de restinga ou na faixa de praia antes das 17h, no solstício de inverno.

O pedido também inclui edificações que ocupem irregularmente terrenos de marinha, contribuam para o avanço da erosão costeira ou não estejam interligadas à rede pública de tratamento de esgoto.

Segundo o pedido do MPF, novas licenças não devem ser concedidas a outros projetos que apresentem irregularidades semelhantes.

Também são alvo da ação os empreendimentos que não apresentaram e não tiveram devidamente analisado o EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança).

O MPF pede o cancelamento de autorizações concedidas sem a conclusão, aprovação e regulamentação do plano municipal de mobilidade urbana, ou sem estudo técnico sobre a capacidade do trânsito na orla de Barra Velha, considerando os impactos na BR-101 e os efeitos sinérgicos das obras já autorizadas e previstas.

Investigação

Um inquérito civil foi aberto para investigar a atuação do setor da construção civil com o Poder Executivo para legalizar o uso e a ocupação de áreas da União e de interesse ambiental, incluindo áreas de preservação permanente.

O procedimento apontou que empreendimentos de impacto elevado estariam sendo construídos à beira-mar sem planejamento adequado e sem avaliação dos impactos, sendo respaldados por estudos enganosos. Os processos de aprovação avançavam em velocidade considerada rápida.

Na representação, foi possível identificar a inexistência de um sistema público de tratamento de esgoto no município, o que causou diversos prejuízos às condições sanitárias e à balneabilidade das praias.

Conforme o documento, as obras também impactaram o acesso às praias e ao mar. O plano diretor, que deveria ter sido revisado em 2018, não passou pela atualização, enquanto leis alteraram o zoneamento para permitir prédios maiores na orla.

Impactos do sombreamento na orla de Barra Velha

A investigação do MPF apontou prédios de até 30 pavimentos que já provocam sombra na praia e na restinga antes das 13h. Após esse horário, mas antes das 14h, o sombreamento já atinge extensa faixa de mar.

Também foram citados problemas de esgoto, erosão, mobilidade, abastecimento de água e falta de revisão do plano diretor.

A investigação ainda revelou irregularidades na composição do Comcidade (Conselho da Cidade), com baixa representação da sociedade civil e amplo controle das decisões pelos setores imobiliário e da construção civil, além de falhas na revisão de leis urbanísticas, incluído o plano diretor, e ambientais.

Foram identificados riscos ao abastecimento de água e à mobilidade, incluindo impactos na BR-101, causados pelo crescimento desordenado da ocupação da orla e pelos problemas de erosão costeira.

Diante dos apontamentos, o MPF requer que o município e a Fundema adotem as medidas necessárias para a paralisação definitiva das obras de empreendimentos cujas licenças, alvarás e autorizações tenham sido cancelados.

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