
05.02 - O ex-padre Alcimir Pillotto, de 71 anos, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do papa Francisco de expulsá-lo da Igreja Católica. As informações são do O Globo.
Alcimir foi expulso da Igreja, em 2021, quando atuava na paróquia Cristo Rei, em Blumenau, após terem sido feitas acusações de que ele mantinha um relacionamento amoroso com uma secretária, onde era pároco, e revelava segredos de fiéis feitos em confissão.
No final de 2022, os advogados de Alcimir recorreram na justiça de Santa Catarina, mas o TJ-SC entendeu que o caso não poderia ser julgado pela Justiça comum. Assim, a defesa de Alcimir recorreu ao STF. O recurso extraordinário tem até o próximo dia 13 de fevereiro para ser feito.
"Muitos padres tem esses secretários, na maioria homens, mas com o padre Pillotto surgiu esse entrevero e desconfiança, por ela ser mulher, o que é um preconceito absurdo, sendo que nunca foi advertido e aceitavam que morassem na mesma residência. Os dois dividiam a mesma residência havia 20 anos, mas, após brigas internas da igreja, houve as denúncias. Era de conhecimento dos integrantes da igreja que Pilloto e a secretária residiam juntos na casa paroquial, mas em quartos separados.”, relatou o advogado Telêmaco Marrace.
De acordo com Telêmaco, advogado do padre, Pillotto não teve tempo de organizar uma defesa em relação a decisão o papa. "Enquanto o clérigo que o defendeu estava montando o processo, saiu a decisão monocrática do Papa", explicou.
Além disso, Marrace informou que o padre está lutando contra um câncer e precisa fazer tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Desde que ficou sem cargo, ele parou de receber a Côngruas (o salário eclesiástico) e o plano de saúde e perdeu a casa em que morava em Blumenau.
Por isso, Alcimir precisou mudar de residência. Morou em Guaratuba (PR), onde residiu com a ex-secretária da Diocese para fazer tratamento e hoje mora na cidade de Erechim (RS), na casa de um irmão.
"Na minha opinião, a competência vai então para a Justiça Comum, pois envolve um idoso, com câncer, que dedicou sua vida toda à religião e que está abandonado a mercê da sorte, vivendo com um salário mínimo da aposentadoria", declarou Marrace.
Em Penha
Na paróquia Nossa Senhora da Penha, em Penha, padre Pilotto atuou por cerca de 13 anos. Antes ele passou pela paróquia Imaculada Conceição, no bairro Bela Vista em Gaspar e por último estava em Blumenau na paróquia Cristo Rei.
Recurso
No primeiro momento, a defesa do ex-padre recorreu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), mas o órgão entendeu que não tinha competência para julgar o caso.
Então foi apresentado outro recurso no Supremo Tribunal Federal. Para o advogado Telêmaco Marrace, a Justiça brasileira pode julgar, pois a igreja está submetida à Constituição Federal de 1988, “tanto que ela usufrui da isenção de impostos”.
Fonte: O Globo
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