
17.05 – Foram encontradas por populares, na tarde de ontem, na praia da Barrinha do Rio Itajuba, no bairro Itajuba, em Barra Velha, 12 tartarugas marinhas mortas e uma viva. Elas estavam presas a uma rede de emalhe que estava próxima da orla.
A Univali/Unidade Penha, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atendeu ao chamado dos moradores e recolheu as carcaças das 12 tartarugas marinhas. Todos os animais eram juvenis da espécie Chelonia mydas, a tartaruga-verde, comum nas praias de Santa Catarina.
Uma tartaruga foi resgatada viva e passa por tratamento veterinário na Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, em Penha. Devido estarem presas nas malhas da rede de pesca irregular armada próximo à praia, os animais morreram por afogamento. Outros animais encontrados vivos na rede foram soltos e devolvidos ao mar, já as 12 carcaças mortas e uma viva foram levadas até a praia para o recolhimento e o resgate feito pela equipe técnica do PMP-BS.
A tartaruga viva foi atendida pela equipe de médicos veterinários e tratadores. No exame, a equipe observou algumas marcas lineares e constritivas compatíveis com rede de pesca na área dorsal do pescoço e na nadadeira peitoral. A tartaruga recebeu medicação adequada ao quadro clínico e passará pelos cuidados da fase de estabilização, até que suas condições de saúde permitam a soltura na natureza.
Todas as carcaças passaram por coleta de dados biométricos para identificação da espécie. As tartarugas registradas mortas passarão por exame de necropsia, uma análise minuciosa dos órgãos para identificação de lesões viscerais que podem comprovar a morte por afogamento.
Pesca Irregular
As redes de pesca armadas foras das normas regulamentadas pelos órgãos ambientais fiscalizadores é considerada irregular. Entre as principais regras está o distanciamento adequado entre o petrecho e as áreas costeiras. Isso porque muitos animais, assim como as tartarugas-verde, habitam essas zonas durante fases específicas da vida.
Redes de pesca irregulares podem causar a morte de inúmeros animais que não são o alvo da pescaria. As tartarugas são altamente ameaças pela inconsciência no uso do petrecho.
Por serem seres vivos pulmonados, animais como as tartarugas, as aves e os mamíferos marinhos precisam retornar à superfície da água para respirar, assim como os seres humanos - e diferente dos peixes, que possuem capacidade biológica para respirar embaixo d’água.
Ao ficarem presos em redes de pesca, esses animais gastam suas energias na tentativa de se desemalhar, ingerem água que chega aos pulmões e iniciam um quadro de debilidade. Quando não encontrados em tempo hábil, morrem afogados ou por complicações relacionadas ao aprisionamento.
O afogamento gera um líquido espumoso nos pulmões, lesão observada a olho nu a partir de um exame de necropsia. Na carcaça, o emalhe gera ferimentos pela fricção do fio pressionado à pele notados principalmente nas nadadeiras e na região do pescoço.
Polícia Ambiental
Moradores afirmara que viram um homem pescando no local. Ele estava em um barco e foi visto colocando a rede em local não permitido. Eles afirmam que o “pescador” teria feito atos obscenos para intimidar moradores desta região.
O caso foi denunciado a Polícia Ambiental que deverá investigar o possivelmente identificar o homem, para adotar todas as medidas legais, como a apreensão da rede e punir conforme as leis.
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