
10.01 - Filipe Mello, filho do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), não será mais o novo secretário de Estado da Casa Civil, confirmou o governo no final da tarde de ontem (9). Por enquanto, seguirá interinamente no posto a secretária-adjunta da pasta, Maria Teresinha Debatin.
Em uma rede social, ele fez uma publicação no final da tarde desta terça dizendo que teve uma conversa com o pai sobre o assunto. "Concluímos que devo continuar auxiliando o Governador da maneira que faço hoje. Sem cargo no Governo. Quem nos conhece sabe da relação que temos e sabe que não preciso de emprego".
A nomeação de Filipe Mello chegou a ser alvo de ação judicial. Na quinta, após o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entrar com o processo, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) concedeu uma liminar (decisão provisória) impedindo que Filipe fosse nomeado secretário.
Porém, na tarde de segunda (8), depois de um recurso da Procuradoria-Geral do Estado, a liminar foi derrubada pelo próprio TJSC, deixando livre o caminho para que o filho do governador assumisse o cargo.
Os bastidores da desistência
Nos bastidores, no entanto, a hipótese vinha sendo gestada pelo filho do governador Jorginho Mello (PL) ao longo dos últimos dias. A alguns interlocutores, Filipe já havia dito que considerava a possibilidade de abrir mão do cargo para blindar o pai. Mas queria antes uma resposta da Justiça ao recurso do Estado contra a liminar que proibiu sua nomeação.
Ontem, Filipe foi até o Centro Administrativo, durante a tarde, e comunicou a decisão a Jorginho. Na conversa entre os dois, ficou ajustado que ele seguirá atuando como tem feito desde o início do governo – nos bastidores.
O que se seguiu foi um corre-corre para elaborar o comunicado. O núcleo duro do governo sugeriu uma nota formal. Filipe preferia uma manifestação pessoal. Escreveu ele mesmo a carta de desistência, e publicou em suas redes.
Com quem conversou após a publicação, o advogado disse que a relação familiar, causa de toda a polêmica em torno da nomeação, foi também o que motivou a desistência. “Não é apenas o governador. É o meu pai”, disse a interlocutores.
Nas contas de Filipe está o índice de aprovação de Jorginho, que segundo pesquisa recente ultrapassa 70% em SC. O filho não quis ficar com o ônus de um arranhão de imagem.
O segundo ponto a ser observado é a frase final, quando Filipe diz que seguirá “com respeito a quem merece”. Internamente, há uma avaliação de que algumas vozes importantes da base se omitiram no momento em que o governo precisou.
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