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Exclusivo: Mestre do barco que se envolveu com corte da cauda de baleia jubarte esclarece o acontecimento e faz apelo

Exclusivo: Mestre do barco que se envolveu com corte da cauda de baleia jubarte esclarece o acontecimento e faz apelo

28/05/2020 às 15h34 Atualizada em 28/05/2020 às 18h34
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Foto: Reprodução
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28.05 – Saimon Reis Bento, 35 anos, mestre do barco “Mais Que Um Vencedor”, que se envolveu no corte da cauda de uma baleia jubarte, no início da tarde do último sábado, em alto mar, esclarece o acontecimento, pede desculpas e faz apelo. Ele afirma que foi um acidente e que não houve crueldade contra o animal.

Saimon, que é morador do bairro São Domingos, em Navegantes, conta que ele e os tripulantes estavam por fora da boca da barra de Itajaí cerca de 15 quilômetros, com uma profundidade de aproximadamente 50 metros, testando o novos aparelhos de pesca da baleeira, quando foram surpreendidos com a baleia enroscada nos cabos. Ele conta que o animal se enroscou nos cabos de aço que sustentavam as redes.

O mestre diz que na tentativa da baleia se soltar, os cabos acabaram cortando a cauda da mesma. “Na tentativa de se soltar a baleia, com sua força e seu peso, chegou a adernar a embarcação, puxou o barco pro lado e fez várias avarias arrebentando e quebrando equipamentos. Não conseguimos cortar o cabo de aço que estava preso nela, porque não tínhamos equipamentos para o corte. Então, tivemos que soltar os aparelhos, com o objetivo de salvar e vida dele e as nossas”, diz Saimon.

“Fiz o vídeo para mostrar pro dono da embarcação as causas das avarias. Em momento algum tocamos um dedo sequer no animal. Mesmo sendo juvenil, como falaram, ela era enorme. Ficamos com muito medo. Pensamos que ela ia botar o barco no fundo. Quando puxamos o cabo de aço, vimos que a cauda dela tinha sido cortada”, explica o mestre.

Saimon implora para que as pessoas não fiquem condenando ele e a tripulação, pois eles não fizeram nenhum ato de crueldade. Disse que com o incidente, o dono da baleeira ,que não teve culpa alguma, está acamado. “Nosso barco, que é nosso ganha pão foi apreendido pela polícia Federal. Não estamos podendo voltar a trabalhar, não sabemos como vai ser daqui pra frente. Se tiver que pedir desculpas a todo mundo eu peço, mas tenho a certeza que não fomos culpados de nada e tudo não passou de um acidente”, finaliza Saimon, que gravou um vídeo falando sobre o caso.

Inquérito

Na tarde de ontem, o “Mais Que Um Vencedor”, que está registrado em Itajaí, foi retirado do rio Itajaí-Açu e apreendido para a realização de inspeção técnica e procedimentos administrativos dos órgãos ambientais. Não foram encontrados pescados no barco e nem restos da baleia ferida. Em Nota Oficial, a Polícia Federal diz que instaurou inquérito policial para completa apuração dos fatos e que foram inquiridos os três tripulantes e o proprietário da embarcação.

Segundo a PF, de acordo com os tripulantes, o fato teria acontecido no início da tarde de sábado, quando a baleia teria enrolado sua cauda num dos cabos de aço que sustenta o aparelho de pesca, começando a se debater, o que teria causado o decepamento da cauda.

A Polícia Federal agora aguarda as análises e informações técnicas do ICMBio e IBAMA para a avaliação da ação que causou a ruptura da cauda, com vistas à confrontação com as informações prestadas pelos tripulantes. As penas para crimes ambientais é de um a três anos de detenção e de dois a cinco anos de reclusão, respectivamente.

Viralizou

O caso ganhou repercussão nacional após o vídeo gravado pelo mestre ser divulgado nas redes sociais. Nas imagens, a cauda cortada da baleia aparece presa aos cabos de aço do barco, enquanto o mamífero já aparece se distanciando da embarcação. Segundo o instituto Austrális, trata-se de uma baleia em idade juvenil que possivelmente estava indo na direção da Bahia, para onde a espécie migra no inverno.

Por: Vilmar Carneiro

Fotos: Redes Sociais

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