
27.01 – Barra Velha amanheceu, nesse sábado, com um novo prefeito. Em 72 horas, após a prisão do prefeito Douglas Elias da Costa (PL), na quarta-feira (24) pelo Gaeco, por suspeita de corrupção, o vice Eduardo Peres, o Tainha (Republicanos) assumiu o cargo em exercício, mas no início da noite ontem desistiu e o cargo caiu no colo no presidente da Câmara de Vereadores, Daniel Cunha (PSD).
Logo após o desembargador José Everaldo Alves do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) determinar o afastamento imediato do prefeito Douglas Elias da Costa (PL) do comando do Município de Barra Velha por 180 dias, o vice-prefeito anunciou que não iria assumir o cargo. Estando Eduardo Peres, o Tainha (Republicanos), fora, quem assumiu foi o presidente da Câmara de Vereadores, Daniel Cunha (PSD). Ele deve ficar no comando até as eleições municipais previstas para outubro deste ano.
O despacho, ao qual o Portal ND Mais teve acesso, foi publicado por volta das 17h31, e determinava que a Procuradoria Jurídica do município e a Chefia de Gabinete fossem intimadas sobre a decisão.
A desistência de Tainha pegou a todos de surpresa, uma vez que ele teria ido à prefeitura e dito que seguiria as recomendações do Ministério Público. Tainha era aliado de Douglas, mas rompeu com o prefeito afastado em 2022, saiu do PL e migrou para o Republicanos.
O novo prefeito
Daniel falou para a imprensa que a notícia pegou a todos de surpresa e ele ainda está “absorvendo a informação. “É um momento difícil para Barra Velha e vamos fazer o melhor trabalho possível”, afirmou Daniel, por telefone.
De acordo com Cunha, uma sessão extraordinária da Câmara de Vereadores será convocada “o mais breve possível”, para formalizar os atos administrativos necessários para que ele assuma as atividades como chefe do Executivo. Ele não soube informar quando a sessão ocorrerá.
Daniel está em seu segundo mandato como vereador. Ele também já atuou como presidente da Fundação Municipal de Turismo, Esporte e Cultura. Também foi diretor de Esportes na gestão de Samir Mattar (MDB).
Tainha
Pelo fato de Tainha ser candidato a prefeito nas próximas eleições, caso seja eleito ele seria considerado reeleito. Diante disso ele preferiu abdicar do cargo.
Assinando na prisão
Douglas da Costa (PL) segue preso na Canhanduba, em Itajaí, juntamente com outros sete envolvidos na Operação Travessia, acusados de corrupção. Douglas estaria assinando portarias de demissão de dentro da prisão através do contato com seu advogado. A defesa dos presos na operação Travessia ainda analisa os autos pra apresentação de pedido de soltura.
Operação Travessia
Na manhã de quarta-feira (24) a Operação Travessia prendeu o prefeito Douglas e mais sete pessoas, sendo agentes públicos e empresários. Eles foram levados para o presídio da Canhanduba, em Itajaí e são suspeitos de corrupção e recebimento de propinas. O MP, através do promotor Renato Maia de Faria, investiga suposta organização criminosa, corrupção e fraudes em licitações, com apoio do Gaeco e do Geac. As investigações, que tiveram início em fevereiro do ano passado, sinalizam participação de agentes públicos e empresários em fraudes em obras públicas, como a ponte sobre o Rio Itajuba, até hoje não concluída.
Em contrapartida, é investigado o recebimento pelos agentes públicos de vantagens indevidas dos empresários contratados, às custas de aditivos em série e medições supervalorizadas.
Não se fala o valor total dos valores supostamente desviados, por conta do segredo de justiça, mas o flagrante dado pelo Gaeco apreendeu armamentos, munições, celulares e dinheiro com um dos investigados, ainda não divulgado.
Wilson Pereira Júnior, defensor de Douglas e Elvis, alega inocência por parte de seus clientes, e reforça que o prefeito “está tranquilo”. Já Samantha de Andrade, advogada de Osni Testoni, frisa que seu cliente tem um passado de absoluta lisura e comprovará a não participação nos esquemas durante o andamento dos autos. As defesas de Osmar, Mauro e dos empresários não se pronunciaram.
18 prefeitos presos
Santa Catarina soma 18 prefeitos presos no período de um ano e dois meses. Do total, 16 foram alvos da operação Mensageiro, deflagrada em dezembro de 2022 contra um esquema criminoso em contratos de serviços de limpeza urbana.
Todos já foram soltos, com a maioria deixando os cargos, mas seguem respondendo na justiça. No grupo, foram cinco prefeitos do MDB, quatro do PP, dois do PL, dois do PSD, um do Republicanos, um do Podemos e um do Patriota.


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