
08.02 - Após uma verdadeira rede de solidariedade, os pescadores atingidos pelo incêndio criminoso em suas embarcações artesanais, duas canoas de um pau só, em Penha, já estão novamente em alto-mar na busca do seu ganha-pão.
A retomada foi na semana passada e segundo Meri Machado, esposa do pescador Edson da Silva, o Edinho, um dos donos das embarcações, a primeira semana de trabalho foi produtiva para as famílias de pescadores, já com duas caixas de pescados capturadas no primeiro dia do retorno.
Meri inclusive compartilhou com o DIARINHO um vídeo dos barcos artesanais em alto-mar, a partir da praia de Armação, onde eles vendem o peixe fresquinho na orla. Diariamente, eles estão pescando cerca de 80 quilos de peixe, a maior parte de corvina e espada.
O crime foi em 25 de outubro de 2023, quando dois homens numa moto chegaram ao portinho dos barcos, na rua Monte Castelo, e atearam fogo.
Uma das embarcações, inclusive, era histórica, com mais de 75 anos de uso por parte dos pescadores de Penha. “Esse barco era do avô do Edinho, passou para o pai e agora estava com meu marido”, lamentou Meri, momentos depois do incêndio criminoso.
“Eram duas canoas de 12 metros cada. Foi criminoso porque uma testemunha viu dois caras saindo em uma moto dali, quando o incêndio começou”, explica Edson, de 59 anos. A Polícia Militar foi chamada para registrar o boletim de ocorrência, mas nada foi descoberto.
Pessoas próximas aos pescadores suspeitam de que há investidores da orla que não gostariam que os portinhos de pesca seguissem ao longo do litoral de Penha, mas essa suspeita nunca foi confirmada.
Na ocasião, além dos barcos, apetrechos como redes de captura de tainha e de arrasto, cordas e baldes, tudo foi destruído – prejuízo avaliado pelas famílias em R$ 60 mil.
A Associação de Pescadores do Litoral Norte, presidida por Luizinho Américo, acompanhou de perto toda a situação das famílias e houve mobilização de amigos, associações e até mesmo desconhecidos.
Meri e Edson, além de pelo menos outras oito famílias ficaram oito meses sem poder voltar para o mar, e desencadearam uma ampla campanha de solidariedade, arrecadando dinheiro e cestas básicas, enquanto reconstruíam os barcos
“A gente tem que agradecer à entidade dos pescadores, mas todos, todos mesmo que ajudaram, a comunidade, as entidades, a Associação de Moradores Armação”, relaciona Meri, que coordenou a vaquinha virtual.
A reconstrução dos barcos foi possível graças aos valores recebidos e produzida artesanalmente, com o conhecimento de carpintaria naval que os pescadores artesanais possuem.
Edinho mostrou o seu barco, o “Siriema”, já pronto para ir ao mar. Redes de pesca e apetrechos de pesca também foram comprados todos novos.
A queima de embarcações e apetrechos dos pescadores não é novidade em Penha. Em junho de 2022, um rancho com equipamentos e redes foi incendiado na praia Alegre, junto ao rio Iriri. Até hoje, também não houve elucidação deste caso.
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