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Vídeos da Operação Travessia vazam em Barra Velha e TJ-SC retoma sigilo

Desde a semana passada, vídeos de depoimentos dos presos – como o próprio prefeito Douglas da Costa (PL) e do ex-secretário Mauro da Silva, do Planejamento – começaram a circular em aplicativos como o WhatsApp e grupos de mensagens de Barra Velha.

21/02/2024 às 19h30
Por: Carneiro News Fonte: Juvan de Souza Neto
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Foto/Divulgação/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Divulgação/Reprodução/Redes Sociais

21.02 - A sucessão de vazamentos de vídeos dos depoimentos de presos da Operação Travessia, em Barra Velha, e também de pessoas chamadas para dar depoimentos por conta da investigação do Ministério Público (MP-SC) acabou por acionar novamente o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), que nesta quarta-feira, dia 21, determinou novamente o sigilo nos dados do processo e da investigação.

Desde a semana passada, vídeos de depoimentos dos presos – como o próprio prefeito Douglas da Costa (PL) e do ex-secretário Mauro da Silva, do Planejamento – começaram a circular em aplicativos de mensagens como o WhatsApp, conforme noticiou nesta quarta o jornalista Juvan de Souza Neto. Nas imagens, Douglas aparece abatido, e tanto ele como Mauro se reservam o direito de ficar calados. Os advogados de ambos – respectivamente, Wilson Pereira Júnior e Ricardo Wippel, aparecem também nas imagens.

O pedido para retomar o sigilo veio de um dos empresários citados no esquema de superfaturamento da ponte sobre o Rio Itajuba, que motivou as prisões de Douglas, Mauro e ainda Elvis Füchter, Osni Paulo Testoni e Osmar Firmo, além dos empresários Karlos Lemos, Celso Moreira Sobrinho e Adevanete Pereira dos Santos. O empresário autor do pedido não foi denunciado e nem está preso – mas seu nome surgiu nos vazamentos. O pedido foi acatado pelo desembargador José Everaldo da Silva, que atua no processo da Travessia.

Também entre os vídeos vazados, o jornalista apurou que estavam os de outro processo – envolvendo o ex-prefeito Valter Zimmermann (União Brasil), cujo advogado é Luan Raulino, de Barra Velha. Raulino aparece no depoimento defendendo seu ex-cliente numa ação civil pública por improbidade administrativa envolvendo o uso de um veículo da Prefeitura, durante o mandato de Zimmermann.

O restante dos vídeos, porém, são todos relativos à Operação Travessia, com depoentes como uma empresária de Itajuba, vinculada à empresa Hiper Casa Materiais de Construção, e de Clóvis Schmenk, corretor de imóveis que atua na construção do prédio do prefeito Douglas, na Rua Blumenau, em Itajuba, obra suspeita de integrar o esquema de corrupção.

Nem a empresária nem Clóvis estão denunciados ou presos, assim como Patrícia Malinski, servidora da Secretaria de Administração, e Aldair Nizer, secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, que também surgem em outros vídeos, mas na condição de depoentes.

Juvan apurou junto a um advogado de Barra Velha, regularmente ligado à OAB, que como o processo teve o sigilo quebrado, outros advogados podem ter acesso aos autos, onde estão postados esses vídeos no sistema do Poder Judiciário. O advogado – que pediu para não ter o nome divulgado – pontua que o TJ-SC por hora não indica que investigará eventuais vazadores deste conteúdo.

O desembargador José Everaldo, entretanto, entendeu que diante dos vazamentos, seria correto preservar as identidades das partes envolvidas no processo, segundo apurou o também jornalista Felipe Bieging, do Jornal do Comércio, de Balneário Piçarras.

A operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Ministério Público (MP-SC) ocorreu em 24 de janeiro, cumprindo os oito mandados de prisão e 22 de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça.

Entre as obras que seriam alvo de ação de organização criminosa, visando fraudes em licitações, desvios de materiais de construção, medições e aditivos fraudados e pagamento de propina já mapeado pelo Gaeco, estão a construção da ponte do Rio Itajuba e também a da sede da Unidade de Conservação do Parque Natural Municipal Caminho do Peabiru.

 Por determinação do desembargador José Everaldo, foi fixado o bloqueio no valor de 32 milhões e 300 mil reais em bens somados dos oito envolvidos presos na operação. O desembargador ainda determinou a suspensão de todos os contratos firmados entre a Prefeitura de Barra Velha e a TEC Engenharia e a JAS Construtora Ltda., empresas envolvidas na denúncia.

 

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