
20.06 - Vinte e cinco anos depois de ganhar fama de um dos maiores espaços de eventos de Santa Catarina, o Bailão do Silva está fechando as portas. O casal Aldo e Carmen Silva anunciou oficialmente o fim de um ciclo da vida noturna de Penha e de Balneário Piçarras: o “Bailão do Silva”, mais tarde “Silva Centro de Eventos”, na avenida Eugênio Krause, herdeiro da “Lanchonete 24 Horas”, que marcou época na avenida Emanoel Pinto, no centro de Balneário Piçarras, sairá de cena.
Rafael Silva, filho do casal, explicou ao DIARINHO que os pais venderam o prédio onde está o antigo shopping que deu origem à casa noturna para a WGB Empreendimentos, seguindo a tendência da verticalização da área central penhense.
Os moradores mais antigos da região têm uma memória afetiva com a casa noturna, desde os tempos da lanchonete 24 horas. No local, havia os bailes, além de um assadão de carnes e de um ponto de lanches a qualquer hora do dia e da noite.
A pressão exercida sobre Aldo Silva, em virtude do som no estabelecimento, fez com que ele apostasse em Penha. Aldo foi considerado “louco” na época em que inicialmente assumiu um shopping inteiro para o bailão.
Aldo e Carmen cruzavam as duas cidades com o conhecido Fusca conversível cor-de-rosa, com um sistema de som adaptado, anunciando os bailes. Nos anos 2000, a casa estourou em termos de sucesso.
Na época, ele instalou climatização – algo também diferenciado para a época – e fez até paisagismo dentro do salão, que a essa altura, também era locado para reuniões políticas, sociais, entre outras ações – além da cessão gratuita do espaço para atrações solidárias e beneficentes.
Mas houve também percalços: a adequação do espaço para os bailes foi contestada pelos bombeiros, e durante anos, Aldo teve de fechar o empreendimento, em virtude dos custos para liberar o salão.
Aos 70 anos de idade, Aldo hoje enfrenta problemas de saúde, mas segundo Rafael, os pais se mantém orgulhosos porque ambos os ambientes, nas duas cidades, sempre foram espaços familiares.
Para comprar o shopping, Aldo venceu uma grande burocracia – eram 20 proprietários, e ele teve de negociar um a um, e valeu-se até de “financiamento no BESC”. Os bailes tinham poucos casais, de início, mas em relato ao jornalista Felipe Bieging, Aldo lembra que criou uma promoção diferente: instalava vales-brindes na ponta das palmeiras plantadas no entorno da pista de dança.
As mulheres disputavam esses brindes; a brincadeira ficou popular, e o salão foi enchendo. “A gente chegava no Silva, ele estava muitas vezes com um churrasquinho na parte superior; churrasco de ovelha. O Silva é uma simpatia; mandava a gente entrar, dançar, e era assim com todo mundo”, lembram os frequentadores.
O Silva acabou atingindo todas as idades, e do gauchesco e bandinhas, abriu para forró, flashback, axé, sertanejo, contemplando todos os gêneros musicais, recebendo Teodoro e Sampaio, Gino e Geno, Bonde do Forró, Double You, Amado Batista, entre outros. Sem esquecer do Tradição com o vocalista Michel Teló, que hoje já rodou o mundo e virou artista Global.
O fechamento, imposto pelas autoridades, até hoje não é compreendido pelo casal. Eles acreditam que havia interesses políticos e até mesmo de gente que “cresceu o olho” com relação ao sucesso do espaço. Após a pandemia, novos revezes judiciais proibiram de novo o funcionamento. A pressão emocional em cima do casal foi grande, e então, surgiu a decisão da parada em definitivo.
Após 25 anos somente em Penha, Silva e Carmen se emocionam ao falar do final desse ciclo; Rafael revela que a construtora WGB erguerá três prédios no local; o casal, das noites agitadas dos grandes bailes, assumirá o desafio da administração destes imóveis. Trabalho não faltará, mas da memória de quem acompanhou o casal Silva, não se apagará a certeza de que, para quem estava “estressado”, era só “dançar no Silva!”.
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