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Justiça Condenação

Réu que matou ex-esposa por ciúmes em Luiz Alves é condenado a mais de 36 anos de prisão

Everaldo de Souza foi denunciado pelo MPSC por feminicídio após matar a ex-mulher com quatro facadas e golpes de pedra. O crime ocorreu na residência da vítima, na frente do filho de apenas 11 anos na época dos fatos.

24/10/2024 às 17h52 Atualizada em 24/10/2024 às 17h57
Por: Carneiro News Fonte: MPSC
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Everaldo de Souza, 39 anos, foi condenado a maios de 36 anos de prisão - Foto/Reprodução Redes Sociais
Everaldo de Souza, 39 anos, foi condenado a maios de 36 anos de prisão - Foto/Reprodução Redes Sociais

24.10 - Uma discussão por ciúmes, o descumprimento da medida protetiva e um feminicídio levaram à condenação de um réu no Tribunal do Júri de Navegantes a 36 anos e nove meses de reclusão em regime fechado. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que denunciou Everaldo de Souza, 39 anos, como condenado pela morte da ex-esposa, Cristiane Huka, 38 anos. Nos autos consta que ele entrou na residência da vítima e, munido de faca e pedra, golpeou a mulher, que morreu por causa dos ferimentos.

A pena foi agravada porque toda a violência foi praticada em frente ao filho de 11 anos na época do crime. O feminicídio ocorreu em 15 de abril de 2023 no município de Luiz Alves, que pertence à Comarca de Navegantes, e o julgamento foi ontem (23). 

No Plenário do Tribunal do Júri, o Promotor de Justiça Victor Ribeiro Debastiniani, da 2ª Promotoria de Justiça da comarca, sustentou que o ex-marido cometeu o crime por motivo torpe, meio cruel, recurso que tornou impossível a defesa da vítima e pelo fato de a vítima ser mulher (feminicídio). Pesaram sobre ele também a violência doméstica, o menosprezo e a discriminação à condição de mulher, por ter descumprido uma medida protetiva de urgência, além de o feminicídio ter sido praticado na presença de um descendente - no caso, o filho de 11 anos. Os jurados acataram as teses do MPSC ao decidirem pela condenação.

Detalhes do crime

O ex-casal manteve uma vida conjugal por 19 anos e do relacionamento nasceram dois filhos. Em março de 2023, após desentendimentos, a relação terminou. Quinze dias antes do crime, a vítima requereu medidas protetivas de urgência, temendo o comportamento agressivo do ex-marido, o que foi deferido pelo Juízo. O réu tinha ciência das medidas, uma vez que havia sido intimado. 

Em 15 de abril do mesmo ano, por volta das 13h25, o réu, prevalecendo-se da relação doméstica e familiar, invadiu a residência da ex-esposa, no bairro Laranjeiras, em Luiz Alves, e, depois de uma discussão, tirou a vida dela. Conforme a sentença, com base em depoimentos, o crime foi premeditado, já que o réu esperou a saída da filha e do namorado para entrar na residência e pôr o plano em prática.

Motivado por ciúmes, o ex-marido golpeou a vítima com quatro facadas no pescoço, além de golpes na cabeça com uma pedra. Toda a violência foi presenciada pelo filho de 11 anos, que, na tentativa de ajudar a mãe, foi empurrado pelo pai e fugiu do local em busca de ajuda. Após o crime, o ex-marido mandou mensagem para um amigo tentando vender uma moto e o convidou para ir a uma festa, não demonstrando nenhum remorso. 

Como efeito da condenação, o Juízo da Vara Criminal de Navegantes decretou a perda do poder familiar do réu em relação ao filho. Ele também foi condenado a pagar uma indenização por danos morais, fixada em R$ 100 mil.

O réu foi imediatamente recolhido ao Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí logo após a sentença ser proferida.

Se entregou a polícia

Everaldo se entregou à polícia e relatou que passou mais de 72 horas escondido em uma região de mata no município. O crime foi executado na tarde de sábado, dia15 de abril do ano passado. Ele se apresentou na noite de terça-feira (18).

Segundo a Polícia Civil, após o crime, ele foi até uma casa em Garuva, no Norte de Santa Catarina, onde ligou para o 190. Em seguida, voltou para Luiz Alves e se escondeu.

Conforme a investigação, Cristiane Huka chegou a pedir uma medida protetiva porque estava sendo ameaçada pelo homem, em um aplicativo de mensagens, após o fim do casamento de 19 anos.

Everaldo e Cristiane tinham mais uma filha, de 18 anos, que estava no mercado quando ocorreu o crime.

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