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Investigações apontam que mais de 800 alunos milionários se beneficiavam do Universidade Gratuita em SC

Além do Universidade gratuita, Fumdesc também foi alvo de apuração pelo TCE. Os dois programas oferecem bolsas a alunos que se enquadram em critérios sociais e de renda, que é voltado à estudantes incapazes de custear os estudos.

26/06/2025 às 09h41
Por: Carneiro News Fonte: G1
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Foto/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Reprodução/Redes Sociais

26.06 - Após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontar mais de 800 alunos milionários entre os beneficiados por bolsas de estudo bancadas pelo estado, o governo de Santa Catarina detalhou mudanças na última terça-feira (24) nos dois programas de educação superior, um deles o Universidade Gratuita - que é voltado à estudantes incapazes de custear os estudos.

O relatório do TCE, apresentado em junho, colocou 18 mil inscrições sob suspeita e identificou que 832 alunos bolsistas integrais têm renda incompatível para acesso às vagas dos programas. As famílias beneficiadas irregularmente têm renda acima de um milhão e são donas de empresas e bens como carros de luxo e lanchas.

O caso foi divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 11 de junho. O órgão analisou as inscrições dos alunos feitas em 2024 e identificou diversas inconsistências e indícios de fraude em 18.383 cadastros. O número equivale à metade das matrículas feitas em 2024.

Os programas são recentes, criados em 2023 pelo atual governador Jorginho Mello (PL) e semelhantes entre si. São eles: Universidade Gratuita e Fundo Estadual de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior Catarinense (Fumdesc).

O governo compra vagas na rede privada e destina a estudantes em vulnerabilidade e que atendam critérios sociais e de renda, como até quatro salários mínimos de renda per capita. A única exceção é o curso de medicina, que prevê renda de até oito salários mínimos per capita.

As principais diferenças são:

Universidade Gratuita se destina somente aos cursos de graduação prestados pelas fundações e autarquias municipais universitárias e por entidades sem fins lucrativos de assistência social. As bolsas são integrais.

Fumdesc destina recursos a cursos de graduação oferecidos por instituições de ensino superior mantidas por pessoas jurídicas de direito privado e outras instituições universitárias. Bolsas parciais ou integrais.

Ambos os programas levam em conta, para a seleção: renda familiar per capita; situação de desemprego do aluno ou responsável legal; bens do grupo familiar; número de pessoas do grupo familiar; ser natural do estado ou morar no território catarinense há no mínimo cinco anos; e renda familiar per capita.

Na terça-feira (24), a Secretaria de Estado da Educação (SED) apresentou dados sobre os programas na Assembleia Legislativa (Alesc). A audiência pública reuniu deputados, governo, entidades educacionais e estudantes.

O estado também fará a reavaliação do cálculo que compõe o índice de carência do estudante e está trabalhando na criação de um portal da transparência com todas as informações referentes aos programas: editais, listas, relatórios, contrapartidas e valores repassados.

Resumo dos problemas encontrados:

4.430 alunos com inconsistência de renda declarada; 832 alunos com renda superior a R$ 1 milhão;

1.699 alunos com possível vínculo empregatício;

218 alunos com indícios de naturalidade divergente;

117 alunos não naturais de Santa Catarina com indícios de residência em cidades de outras unidades da federação;

18 alunos com CPF de familiar com registros de óbitos;

302 alunos como integrantes do grupo familiar divergente entre CadÚnico, Universidade Gratuita e Fumdesc;

Quais foram as suspeitas de maior destaque em relação ao patrimônio dos estudantes?

15.281 alunos com divergência sobre as informações patrimoniais.

Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 600 mil;

Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 547 mil;

Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 735 mil;

Alunos pertencentes a sete grupos familiares com empresas de capital social entre R$ 10 milhões e R$ 21 milhões;

Aluno pertencente a grupo familiar com imóvel avaliado em R$ 30 milhões;

Aluno pertencente a grupo familiar com imóvel avaliado em R$ 29 milhões;

Alunos com grupos familiares donos de lanchas e motos aquáticas com preços variando entre R$ 80 mil e R$ 202 mil.

O que o TCE falou sobre o processo criado pelo governo?

Ao divulgar o relatório, o conselheiro e vice-presidente do TCE, José Nei Ascari, alertou sobre o parecer: "Claro que há falhas no próprio processo de concessão e de fiscalização, atribuídas tanto às instituições educacionais quanto às estruturas do governo".

O relatório do TCE será enviado ao Ministério Público e à Receita Federal para a abertura de processos e responsabilizações.

O que diz o governo de Santa Catarina?

O governo de Santa Catarina informou que solicitou à Polícia Civil o acesso aos dados do relatório do TCE para iniciar investigação visando descobrir se estudantes utilizaram documentação falsa.

Também serão apuradas, segundo o governo, supostas consultorias criadas para facilitar o acesso ao Universidade Gratuita mediante pagamento. A investigação será conduzida pela Delegacia de Defraudações.

Em paralelo, uma parceria entre a Secretaria da Educação (SED) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) foi criada para "identificar pontos de atenção a partir do cruzamento de informações entre sistemas".

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