
10.07 - A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu nesta quinta-feira, em Itapema, um homem de 39 anos investigado por liderar um esquema de fraudes no setor imobiliário. Segundo as autoridades, os prejuízos ultrapassam R$ 20 milhões e ao menos 119 vítimas foram identificadas até o momento.
O mandado de prisão preventiva é da Comarca de Nova Petrópolis (RS), onde o investigado atuava como administrador de uma empresa do ramo imobiliário. Conforme apurado, ele firmava contratos de locação e intermediação com aparência legal para atrair cauções, aluguéis antecipados e comissões. No entanto, os valores eram desviados e não eram repassados aos proprietários nem devolvidos aos inquilinos.
A empresa fechou as portas de forma abrupta em abril deste ano. Logo depois, o homem se mudou para Santa Catarina e passou a atuar como corretor em Itapema, utilizando nova identidade profissional. Apesar das ações cíveis e penais já em andamento, ele mantinha vida de luxo em um imóvel de alto padrão, onde seguia anunciando seus serviços nas redes sociais com promessas de segurança e confiança.
Diante da gravidade do caso, do histórico de golpes e da possibilidade de novas vítimas, a Justiça de Nova Petrópolis determinou a prisão preventiva do investigado. A ação contou com apoio da Polícia Civil de Itapema, que colaborou no planejamento e ajudou a garantir que a prisão fosse feita com segurança.
Segundo a Polícia Civil, a detenção representa um passo importante na responsabilização do investigado e na tentativa de reparar os danos causados às dezenas de famílias afetadas.
Homem preso em Itapema não é credenciado no CRECI-SC
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (CRECI-SC) informa que o homem preso pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com a colaboração da Polícia Civil de Itapema, nesta quinta-feira (10), não possui registro como corretor de imóveis no estado. O acusado é investigado por liderar um esquema de fraudes imobiliárias que causou prejuízos superiores a R$ 20 milhões e vitimou mais de 120 pessoas.
A promotora de Justiça Ana Flávia Amaral Rezende, de Nova Petrópolis (RS), além do pedido de prisão, solicitou a suspensão do registro profissional do investigado junto aos Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis do RS e de SC. Tais medidas foram acolhidas pelo Judiciário gaúcho, que enviou ofício ao CRECI-SC também nesta quinta-feira, requisitando a suspensão do registro profissional. Contudo, feita a pesquisa em seu sistema, o Conselho verificou que o acusado não possui credenciamento na entidade catarinense.
O CRECI-SC esclarece que os processos disciplinares, incluindo a suspensão do credenciamento, só são possíveis para os casos que envolvam credenciados ao Conselho. Nas situações de exercício ilegal da profissão, as ações são realizadas pelo Ministério Público.
Creci age com rigor
O CRECI-SC tem agido com rigor em casos que envolvem crimes comprovadamente cometidos por corretores de imóveis. Em outubro de 2024, o Conselho aprovou a suspensão cautelar do registro de um corretor de imóveis acusado de golpes no município de Penha. Em março deste ano, o mesmo aconteceu em um caso registrado em Navegantes. As decisões liminares levaram em consideração os elementos apurados no inquérito policial e no processo disciplinar em tramitação no Conselho, que apontaram a materialidade dos golpes realizados no exercício de suas funções profissionais. O CRECI-SC também justificou as suspensões pela repercussão social dos atos praticados e o receio de que a manutenção do exercício profissional pudesse ocasionar novos prejuízos à população e à dignidade da profissão.
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