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Geral Largados no mato

Americano levou filho pro mato para ensinar “sobrevivência na selva”

Segundo a polícia Civil, ele vai responder a um Termo Circunstanciado por expor menor ao perigo. Conselho Tutelar vai acompanhar o caso. Pai e filho ficaram cinco dias numa área de mata do Morro do Careca.

03/09/2025 às 08h44
Por: Carneiro News
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Foto/Divulgação/PMSC
Foto/Divulgação/PMSC

03.09 - Em depoimento aos delegados Vicente Soares e Luana Backes, o americano Mark Alexander Cummings Rogers, de 48 anos, revelou detalhes da ideia que teve de largar o carro, os celulares e fazer o filho de 13 anos faltar às aulas para aprender a viver no meio do mato sem qualquer recurso. O americano contou à Polícia Civil o que ele e o filho fizeram na área de morraria do Careca de quinta-feira, quando desapareceram, até a tarde de ontem, quando foram resgatados por uma força-tarefa policial de Balneário Camboriú.

Segundo os delegados, Mark contou que ele e o filho saíram apenas com a roupa do corpo na quinta-feira e jogaram os iPhones 16 Pro Max na obra de reforma do prédio do fórum, na Quarta avenida, esquina com a rua 916. “Mark alegou que queria se desconectar. Não queria nenhum aparelho eletrônico. Dirigiu até a Estrada da Rainha, deixou o carro lá fechado e saíram com a roupa do corpo”, narrou a delegada Luana.

Para ensinar o filho a viver sem recursos, Mark não levou comida ou materiais de apoio. “Não levaram barraca, nada e foram para o mato. Lá eles se alimentaram de frutas, segundo ele. Ele achou um compensado, fez uma barraca lá, um abrigo para eles, com materiais que encontrou no mato mesmo. A cama ele fez com folhas; ele disse que só trocava as folhas quando molhavam, mas que eles dormiam em folhas”, explicou.

Mark justificou à delegada que a ideia era ensinar o filho a “sobreviver na selva”. Ele queria reproduzir o programa de TV Largados e Pelados – onde as pessoas vivem no meio do mato sem recursos. “A ideia era ficar mais dois dias no mato. Ele queria, como pai, ensinar o filho a sobreviver numa área de selva, assim, de mata, mas sem nenhum tipo de suprimento, sem nenhum kit de primeiros socorros, barraca, nada”, completou a delegada.

A Polícia Civil instaurou um TC (Termo Circunstanciado) contra o americano, acusado de expor a vida do menor ao perigo. “Ele respondeu ao TC na DIC (Delegacia de Investigação Criminal) e foi liberado. Também foi acionado o Conselho Tutelar para tratar da guarda do filho. Eles não têm parentes aqui no Brasil, só amigos”, explicou. A mãe da criança, que nasceu na Nicarágua, já é falecida. O delegado Vicente disse que, de forma preliminar, ficou decidido que a criança ficará com a amiga da família e o pai pode visitá-la. No entanto, a Justiça ainda deve se manifestar definitivamente sobre a guarda do menor.

Forças de segurança mobilizadas nas buscas

Após cinco dias sem dar notícias e com um boletim de ocorrência de desaparecimento registrado, na tarde desta terça-feira uma busca feita pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Militar localizou pai e filho na mata do Morro do Careca, perto de onde, no domingo, por volta das 22h, o carro de Mark, um Jeep Compass, foi localizado pela PM.

A operação envolveu planejamento estratégico, conhecimento técnico em resgates em áreas de mata e uso de equipamentos especializados, com patrulhamento e monitoramento das áreas de risco. Logo após encontrá-los, a PM informou que pai e filho estavam bem, segundo relato preliminar. “Estavam acampando em meio à mata”, informou a PM.

Os bombeiros informaram que, de forma coordenada e seguindo protocolos de segurança, os socorristas identificaram uma trilha que levou ao local onde estavam acampando pai e filho. “Eles foram encontrados em boas condições de saúde, com alimentação [frutas] e água. Receberam atendimento inicial no local antes de serem encaminhados para a delegacia”, disse a corporação militar.

Mark, natural da Califórnia (EUA) e D., nascido na Nicarágua, moram na Praia Brava há mais de cinco anos. Mark atua como corretor de imóveis no litoral e o filho estuda no Colégio de Aplicação da Avantis.

O sumiço aconteceu após um último contato com uma ex-companheira de Mark na terça-feira passada. Na quinta-feira, eles deixaram de responder mensagens e ligações, e o último post nas redes sociais foi feito no shopping de Balneário Camboriú. Amigos relataram que, antes do desaparecimento, Mark estaria tendo alucinações com extraterrestres e objetos voadores não identificados (ovnis).

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