
Um problema recorrente tem preocupado a administração do Aeroporto Internacional de Navegantes. Para combater essa prática, foi feita uma campanha de conscientização voltada à comunidade, alertando sobre os riscos do uso indevido de raios laser contra aeronaves.
A ação busca proteger pilotos e passageiros, além de reforçar a segurança das operações aéreas. Em 2025, até agosto, já foram registrados 27 casos de lasers apontados para aeronaves durante pousos ou decolagens no terminal.
Segundo a Motiva, administradora do aeroporto, eram registradas em média 10 ocorrências por ano até 2024. Porém, neste ano, o número de casos disparou, principalmente entre Itajaí e Navegantes, além de relatos próximo à Penha.
Entenda riscos de apontar lasers contra aviões
A campanha aponta que um raio laser para uma aeronave não é inofensivo, mas representa um risco real. O feixe de luz pode ofuscar temporariamente a visão do piloto, causar cegueira momentânea e até provocar lesões oculares.
Além disso, o laser acaba comprometendo a leitura dos instrumentos e a percepção do ambiente externo, aumentando as chances de erros de navegação e manobras de risco, como arremetidas inesperadas.
“Estamos atuando de forma preventiva, levando informação e conscientização para a comunidade. Nosso objetivo é mostrar que o laser não é um brinquedo, mas sim uma ameaça à aviação, e que essa prática é um crime previsto em lei”, explica Wilson Rocha, gerente do aeroporto de Navegantes.
No dia 23 de setembro equipes do aeroporto, acompanhadas pela Polícia Federal, foram às ruas e realizaram visitas domiciliares para conversar com os moradores.
Especialista aponta que problema é mundial
Conforme a Motiva, a proposta foi orientar de forma direta sobre os riscos do uso indevido do laser e reforçar a importância da denúncia imediata em casos de flagrante. Rafael Santiago, da NAV Brasil, reforça que esse é um problema mundial.
“Estou dedicado à Segurança Operacional no Tráfego Aéreo desde 2017, mas iniciei na aviação em 2007, e já naquela época fui alvo de raio laser, o que demonstra que não se trata de um problema recente. O primeiro relato global é de 1993, e desde então os registros vêm se espalhando”, destaca.
Segundo ele, a percepção dentro da cabine é completamente diferente daquela de quem está no solo. “Dependendo do ângulo, a luz deixa de ser apenas um ponto visível e se espalha, iluminando o cockpit e prejudicando diretamente a visão do piloto. Muitas vezes, quem aponta acredita estar mirando apenas a fuselagem, sem perceber que a claridade pode atingir os olhos de quem conduz o voo”, explica.
Estudos internacionais apontam que os efeitos mais comuns incluem distrações, ofuscamento e até lesões visuais. Mesmo lasers de baixa potência podem gerar riscos sérios em fases críticas, como aproximações e pousos.
“Imagine um piloto em baixa altitude, concentrado na descida da aeronave, quando de repente é surpreendido por uma luz intensa e inesperada. Esse é um cenário simples, mas que acontece com frequência”, reforça Santiago.
Prática de apontar lasers contra aviões é criminosa
O analista de safety do aeroporto, Ricardo Luiz Barbosa Ouriques, lembra que a prática, além de perigosa, é crime. “Esse tipo de interferência aumenta o risco para todos a bordo e mobiliza equipes em solo, que precisam acionar protocolos de segurança e comunicação com as autoridades”, explica.
De acordo com o artigo 261 do Código Penal Brasileiro, apontar laser para aeronaves é enquadrado como crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. A pena varia de dois a cinco anos de reclusão, podendo chegar a até 12 anos em caso de acidente com vítimas.
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