
Mulheres de Balneário Piçarras, Penha, Barra Velha e região participarão neste domingo de um ato silencioso na busca de maior proteção diante da escalada da violência doméstica em Santa Catarina, e também em repúdio ao brutal crime que vitimou Daiane Simão da Costa, 33 anos, no sábado, baleada e morta pelo ex-companheiro em frente à base da polícia Militar. O assassino se matou em seguida, também com um tiro na cabeça.
A caminhada sairá da praça Lauro Zimmermann, na praia Alegre, com concentração a partir das 9h45, em Penha, seguindo em direção a Balneário Piçarras. Segundo Regina dos Santos Silva, coordenadora do Coletivo Mulheres do Brasil em Ação (CMBA), que mantém em Penha a Casa de Referência da Mulher, o ato é necessário diante de mais um feminicídio na região e no Estado, como forma de “repúdio, silêncio, presença e resistência”.
A intenção das mulheres é também homenagear Daiane, que deixou quatro filhos órfãos, e apesar da medida protetiva, foi assassinada. “Queremos denunciar a violência e reafirmar que nenhuma mulher seja assassinada”, destacou Regina ao DIARINHO.
Participantes e ativistas estão sendo chamadas a ir vestidas de preto, e levar velas e flores. O Movimento Mulheres que Inspiram, de Barra Velha e Piçarras, liderado pela professora Elizabete Tamanini, a Betinha, confirmou presença.
“Queremos homenagear a Daiane, demonstrando nosso luto e exigindo maior estrutura de proteção às mulheres. Daiane não poderia estar trabalhando normalmente diante da soltura do criminoso; ela deveria ter sido retirada de Santa Catarina”, afirma Regina.
A coordenadora do CMBA também cobra melhor estrutura do atendimento às vítimas de violência doméstica em Piçarras, a qual, segundo Regina, está aquém do oferecido em cidades vizinhas, como Penha, Navegantes e Barra Velha.
Crime brutal
Daiane Costa era servidora terceirizada da prefeitura de Balneário Piçarras, atuando numa equipe de limpeza do pronto-atendimento. Passou também pela escola de educação Básica Manoel Henrique de Assis, do centro de Penha, em 2024.
O assassino, Almir Rogério de Sena Soares, 42, já tinha histórico de violência, com registros de ameaça durante 18 anos de relacionamento, e estava preso desde o final do ano passado em Itajaí. Daiane tinha medida protetiva vigente, que nada resolveu. Três dias após sair do presídio, Almir a baleou e matou enquanto ela buscava socorro junto à base policial. Ele atirou na própria cabeça em seguida.



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