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Violência contra a mulher: os números gritam

Com o objetivo de chamar atenção para a gravidade do problema, a AMFRI lançou a campanha de conscientização e combate à violência contra a mulher, criada pela Agência Tatticas.

25/02/2026 às 16h57
Por: Carneiro News
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Foto/Ilustrativa
Foto/Ilustrativa

A violência contra a mulher é uma realidade que atravessa lares, cidades e gerações. Ela pode se manifestar de diversas formas e, muitas vezes, começa de maneira silenciosa, quase imperceptível. O que para alguns pode parecer “apenas uma discussão”, para muitas mulheres é o início de um ciclo de medo, controle e agressão que pode evoluir para situações extremas.

Em Santa Catarina, os dados oficiais confirmam a gravidade do cenário. São milhares de registros todos os anos, revelando que a violência é um problema estrutural que exige mobilização permanente do poder público e da sociedade.

Diante dessa realidade, a AMFRI e seus municípios associados manifestam inconformismo e reforçam seu compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher. Mais do que reconhecer os números, é preciso agir, orientar e fortalecer as redes de proteção em cada cidade.

Uma campanha para transformar números em vozes

Com o objetivo de chamar atenção para a gravidade do problema, a AMFRI lançou a campanha de conscientização e combate à violência contra a mulher, criada pela Agência Tatticas.

O conceito parte de um entendimento essencial: quando apresentados de forma isolada, os dados correm o risco de se tornarem apenas estatísticas frias. A proposta criativa rompe com essa lógica ao transformar números em vozes.

“Os números gritam. Precisamos ouvir.”

A metáfora é direta e poderosa. Os números gritam porque carregam traumas invisíveis, silêncios impostos e histórias reais de violência. Eles não são neutros, nem distantes, são alertas. Ouvir é perceber os sinais, acolher relatos, denunciar agressões e interromper o ciclo antes que ele atinja estágios irreversíveis.

O impacto visual: quando a violência deixa de ser invisível

O layout da campanha traduz esse conceito por meio da metáfora das matrioskas, bonecas tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico. A escolha não é aleatória. Grande parte dos casos de violência contra a mulher ocorre dentro de casa, um espaço que deveria representar segurança. As matrioskas, encaixadas umas dentro das outras, simbolizam a violência que se acumula, se esconde e se agrava ao longo do tempo.

Cada boneca representa uma etapa do ciclo da violência, associada a dados reais, desde agressões iniciais até o feminicídio.

Entre os dados apresentados na campanha estão:

31.655 medidas protetivas

17 mil lesões corporais dolosas

5.146 vias de fato

550 estupros

52 feminicídios

2026 já começa com números preocupantes

Mesmo com o ano recém-iniciado, os dados de 2026 já acendem um novo alerta: já são mais de 6.900 registros, segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher SC, até o momento em que essa matéria foi divulgada. Entre os registros estão: 7 feminicídios (Fonte: SSP/SC) e 3.223 medidas protetivas (Fonte: TJSC), por exemplo.

Esses números mostram que a violência não espera. Ela acontece todos os dias, e exige resposta imediata.

Como pedir ajuda e como agir diante da violência

Em caso de emergência

Ligue 190 – Polícia Militar

Para denunciar violência de forma anônima

Ligue 181 – Disque Denúncia

Atendimento à mulher

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (orientação e encaminhamento)

Polícia Civil de Santa Catarina

WhatsApp: (48) 98844-0011

Se você presenciar uma situação de violência, não ignore. Denunciar não é se meter na vida dos outros, é proteger quem está em risco. Se você é vítima, saiba que não está sozinha. Procure a Delegacia de Polícia, a Delegacia da Mulher (onde houver), o Ministério Público, a Defensoria Pública ou a rede de assistência social do seu município. Medidas protetivas podem ser solicitadas e são instrumentos fundamentais para interromper o ciclo da violência.

Ouvir é o primeiro passo para interromper o ciclo

Antes de virar estatística, houve um grito. Houve medo. Houve dor.

A campanha da AMFRI reforça que ignorar os dados é permitir que a violência continue avançando. Transformar números em consciência é um passo essencial para mobilizar a sociedade, fortalecer políticas públicas e salvar vidas.

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