
O Instituto Araxá, de Itapema, está mobilizado na promoção da cidadania e do protagonismo das mulheres em Santa Catarina. No último sábado (28), ocorreu o lançamento da formação “Ed Pop Mulheres – Voz, Poder e Igualdade”, iniciativa do Ministério das Mulheres, em três dos cinco territórios mapeados para preparar mulheres a ocupar espaços públicos de poder e decisão.
As cidades de Jaraguá do Sul, Barra Velha e São José sediaram a primeira etapa da formação nessas regiões, recebendo ativistas e lideranças femininas de diversos municípios.
“Foi um fim de semana potente, com diversidade de histórias, forças e saberes. Mais uma vez, ficou evidente que, juntas, podemos ocupar espaços de decisão política e comunitária para construir uma sociedade mais justa, digna e democrática”, destacou o presidente do Instituto Araxá, Joel Eyroff.
A professora Elizabete Tamanini, conhecida como Betinha e participante da formação, ressaltou a importância dos debates promovidos durante os encontros. “Dialogamos sobre identidades, lutas individuais e coletivas e sobre os caminhos necessários para que possamos ter voz e igualdade”, afirmou.
Em Barra Velha, a formação ocorreu no salão do centro administrativo da Associação de Assistência ao Portador e Ex‑Portador de Câncer (AAPEC), localizado no centro da cidade. Na semana anterior, o projeto já havia promovido encontros em Rio do Sul e Blumenau, contemplando os cinco territórios estabelecidos pelo Instituto Araxá para levar a formação cidadã às mulheres catarinenses.
A formação foi oficializada em 26 de fevereiro, durante uma live promovida pelo Instituto Araxá com a ministra Márcia Lopes, transmitida no canal da instituição no YouTube. Durante a transmissão, a ministra destacou a importância do programa e anunciou que prepara uma agenda com mulheres catarinenses para fortalecer a iniciativa de formação.
Joel Eyroff explica que o curso integra o plano plurianual do Ministério das Mulheres voltado à formação cidadã. Segundo ele, Santa Catarina é um dos estados com menor presença feminina em espaços de representação política. Além disso, mais de 80% dos municípios catarinenses não contam com conselhos de direitos da mulher ou coletivos organizados em busca de maior representatividade.
A proposta da formação, porém, vai além do debate sobre violência de gênero e enfrentamento ao feminicídio. O objetivo também é capacitar mulheres para atuarem como lideranças em associações, coletivos, conselhos de direitos e espaços institucionais, como câmaras de vereadores, assembleias legislativas e o Congresso Nacional.
Para iniciar o trabalho, Santa Catarina foi dividida em cinco territórios de atuação, com a meta de mobilizar cerca de 900 mulheres. Em Barra Velha, por exemplo, participaram mulheres de Navegantes, Penha, Balneário Piçarras e Itapema, além da própria cidade anfitriã.
Entre as ações que já começam a repercutir no estado, a vice-presidente do Instituto Araxá e coordenadora pedagógica do projeto, Amanda Bittencourt, destaca a importância do mapeamento de políticas públicas voltadas às mulheres, da realização de encontros presenciais e do fortalecimento da participação feminina nas comunidades.
Ontwem (5), o Instituto Araxá, que completou 20 anos de atuação em Itapema e no litoral norte catarinense, também participou de mobilização contra a violência doméstica e o aumento dos feminicídios no estado. A entidade esteve presente no seminário “Vivas e Decididas contra o Feminicídio”, realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina por iniciativa da deputada estadual Luciane Carminatti (PT).



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