
Os casos recentes de hantavírus ligados a um navio de cruzeiro deixaram muita gente preocupada, mas a forma de transmissão registrada naquela situação é diferente da realidade de Santa Catarina. No estado, a doença está ligada principalmente ao contato com ratos silvestres infectados.
Segundo o médico infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de SC, o vírus identificado no surto do cruzeiro pertence à linhagem “Andes”, que pode ser transmitida entre pessoas em ambientes fechados. Já os casos registrados em Santa Catarina acontecem de outra forma.
A contaminação acontece quando a pessoa entra em contato com fezes, saliva ou urina de roedores silvestres. “O risco aumenta em galpões, depósitos, paióis, ranchos e locais fechados há muito tempo”, afirma.
Quando o chão é varrido ou sacos de grãos são mexidos, partículas contaminadas podem subir junto com a poeira e ser respiradas.
Os primeiros sintomas costumam parecer uma gripe forte. Febre, dor no corpo, dor de cabeça e dor abdominal estão entre os sinais mais comuns. A diferença, segundo especialistas, é que os pacientes geralmente não apresentam sintomas típicos de gripe, como coriza e dor de garganta.
Nos casos mais graves, a doença pode piorar rapidamente e causar falta de ar, insuficiência respiratória e problemas cardíacos. “A orientação é procurar atendimento médico ao perceber dificuldade para respirar após febre e dores no corpo, principalmente para quem esteve em áreas rurais ou locais com presença de roedores”, completa o infectologista.
Santa Catarina registrou cerca de 90 casos nos últimos seis anos. Em 2026, um caso foi confirmado em fevereiro, em Seara. A paciente se recuperou.
Para evitar a doença, especialistas orientam abrir e ventilar ambientes fechados antes da limpeza, usar máscara e luvas e evitar levantar poeira ao varrer.
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