
Mais de 100 pontos no rosto. Esse foi o resultado do encontro do motociclista Adilton Ribeiro com uma linha de cerol na BR 470, em Navegantes, no início deste ano. O trabalhador voltava do serviço quando foi atingido pelo material cortante perto da região do posto Ibiza. “Eu tava voltando do trabalho perto do posto quando passou a linha de cerol e cortou toda a minha cara”, contou.
O acidente foi no mesmo local onde um jovem de 21 anos morreu em março de 2025, após ter o pescoço cortado por cerol. Os casos reforçam a preocupação de moradores com o aumento do uso de cerol e linha chilena na cidade.
Apesar de a legislação municipal prever multas entre R$ 5146,94 e R$ 10.517,66 para quem vende ou usa os materiais, a prefeitura informou que nenhuma autuação foi aplicada desde abril de 2025, quando a secretaria de Segurança e o Procon passaram a atuar na fiscalização.
Enquanto isso, a Celesc contabilizou 38 ocorrências envolvendo pipas nos primeiros meses de 2026 em Navegantes. Moradores dos bairros São Paulo e Nossa Senhora das Graças denunciam o aumento do uso da linha proibida.
Um vídeo enviado à redação do DIARINHO mostra crianças, adultos e até um policial militar fardado empinando pipa, cena que aumentou a indignação de quem cobra mais fiscalização. As aglomerações são frequentes nas ruas Alírio Pereira, Padre João Pivatto e Sidnei Gaya.
Moradores afirmam que o uso de cerol acontece em meio ao trânsito de motociclistas, ciclistas e pedestres. “Os riscos que nós corremos vão além da exposição à linha de cerol e à linha chilena, que são muito cortantes. Pode atingir crianças, idosos, ciclistas e motociclistas. Ainda tem até policial soltando pipa. Em vez de coibir a prática e orientar, acha engraçado”, desabafou um morador.
Aglomero no São Paulo e Nossa Senhora
Os números mostram que o problema está longe de ser isolado. Em 4 de junho deste ano, a PM encontrou mais de 50 pessoas soltando pipas em Navegantes. Com a chegada da guarnição, vários participantes fugiram e abandonaram os materiais pelo caminho. Ao final da ação, os policiais recolheram 88 pipas e 21 carretéis de linha com cerol e linha chilena. O material foi apreendido.
A Polícia Militar informou que não mantém uma operação específica voltada exclusivamente ao combate ao cerol, mas atende denúncias feitas pela população por meio do 190.
A preocupação dos moradores também encontra respaldo nos dados da Celesc. Das 38 ocorrências envolvendo pipas registradas em 2026, 29 foram nos bairros São Paulo e Nossa Senhora das Graças. Segundo a Celesc, cerca de 20% do tempo em que Navegantes ficou sem energia elétrica em 2025 teve relação com ocorrências com pipas. Nos dois bairros mais afetados, esse índice pode ultrapassar 50%.
De janeiro de 2024 até junho deste ano, a Celesc contabilizou 172 ocorrências relacionadas ao problema no município. A empresa explica que o cerol e a linha chilena desgastam os cabos da rede elétrica como uma serra, provocando rompimentos, desligamentos e a necessidade de reparos emergenciais.
Menores envolvidos
O Conselho Tutelar já atendeu casos envolvendo crianças e adolescentes usando cerol. Os pais e responsáveis foram orientados. O conselho defende ações permanentes de conscientização envolvendo escolas, famílias e poder público.
Apesar de a legislação municipal prever multas, a prefeitura ainda não fez apreensões em comércios. Nas ruas, houve uma apreensão desde abril de 2025.
A prefeitura orienta que denúncias sobre venda ilegal de cerol ou linha chilena sejam encaminhadas ao e-mail: [email protected], pelo telefone (47) 3342-9500 ou pelo WhatsApp (47) 99290-1398. Já situações envolvendo o uso do material em vias públicas podem ser comunicadas à PM pelo 190.
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