
O diretor do Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras, Jules Soto, está à frente de uma proposta para restaurar o histórico Casarão Zipperer, em Rio Negrinho, no Planalto Norte catarinense. Construído entre 1918 e 1922, o imóvel está interditado desde 2018 devido a problemas estruturais e poderá se tornar um museu de época caso o projeto avance.
Reconhecido internacionalmente por sua atuação na preservação de acervos museológicos, Soto integra o Conselho Internacional de Museus (Icom) e possui experiência na recuperação de edificações históricas. Nesta semana, ele realizou uma visita técnica ao casarão acompanhado do escritor itajaiense Magru Floriano e do advogado Murilo Zipperer, consultor técnico do Instituto Soto e bisneto de Jorge Zipperer, empresário cuja família teve papel decisivo no desenvolvimento de Rio Negrinho por meio da histórica Móveis Cimo.
A comitiva foi recebida pela secretária municipal de Cultura, Viviane Tomelin, e pelo prefeito Caio Treml (PL). Durante a vistoria, foram avaliadas as condições estruturais do imóvel e discutidas alternativas para viabilizar sua recuperação. Entre as possibilidades está a implantação de um museu dedicado à história da família Zipperer e da indústria moveleira catarinense. Para isso, o Instituto Soto estuda disponibilizar parte de seu acervo em regime de comodato.
Segundo Murilo Zipperer, a demora na restauração não decorre da falta de interesse do poder público, mas da dificuldade em contratar empresas especializadas para executar uma obra com elevado grau de complexidade. Ele destaca que diversos editais de licitação já foram lançados pelo município, sem sucesso.
O advogado explica que a iniciativa surgiu de forma espontânea, após apresentar a Jules Soto a situação do casarão e o rico acervo histórico da família Zipperer durante encontros em Itajaí. A partir desse contato, o Instituto Soto manifestou interesse em conhecer o imóvel e estudar alternativas para sua recuperação.
Um novo encontro entre representantes do Instituto Soto e a Procuradoria de Rio Negrinho deverá ocorrer nas próximas semanas para iniciar os procedimentos jurídicos necessários ao desenvolvimento do projeto.
A expectativa do grupo é que a boa receptividade da administração municipal permita avançar na preservação de um dos principais patrimônios históricos do Planalto Norte catarinense, cuja história se confunde com a formação e o crescimento de Rio Negrinho.




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