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Cultura Siri Mecânico

Nelson Abrão lança livro sobre time histórico do Marcílio Dias dos anos 80

Ex-presidente conta os bastidores do time que levantou taças em 1988 e 1989. Idealizador do projeto “tira-teima”, Nelson Abrão traz memórias e documentos históricos no livro.

08/10/2026 às 08h35
Por: Carneiro News
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Foto/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Reprodução/Redes Sociais

Até hoje o Siri Mecânico, como ficou conhecido o grande time do Marcílio Dias no final dos anos 80, está na memória do torcedor que viveu essa época de perto. Depois de quase 40 anos, chegou a hora de conhecer os bastidores daquele time que chegou muito perto do sonhado título catarinense, pelas palavras de quem arquitetou o projeto: o ex-presidente Nelson Abrão.

É dele a autoria do livro “O que vi e ouvi nos bastidores do clube”, que será lançado oficialmente na próxima semana, e que já está em pré-venda através do WhatsApp (47) 9909-4950, pelo valor de R$ 89,99. A primeira edição terá 500 exemplares e quem comprar antecipadamente receberá sua cópia autografada. O primeiro evento de lançamento acontece na segunda-feira, dia 12, apenas para convidados, mas o autor pretende promover outro evento aberto ao público, no dia 15, em parceria com o Marcílio Dias.

Batizado de “tira-teima”, o projeto idealizado por Nelson Abrão ocorreu na sua gestão entre 1987 a 1989, conquistando três taças em 88 e 89, equivalente a turnos do campeonato estadual. O objetivo era desbancar o octacampeão Joinville, que teve no Marinheiro uma grande pedra no sapato naquele final de década.

Para isso, o presidente foi buscar nomes de peso como o centroavante Joel, do Atlético-PR, a jovem promessa Sidney, do Criciúma, Palmito, da Chapecoense, o experiente Rosemiro, ex-Palmeiras e Vasco, entre tantos outros que se destacaram. O técnico foi outro nome de fora, Levir Culpi, indicado por um amigo de Curitiba, que chegou a Itajaí e precisou se adaptar a filosofia de jogo ofensiva que o presidente queria.

Segundo Nelson Abrão, toda a montagem do elenco e a viabilidade financeira do time que custou um milhão de dólares, com uma empresa de marketing própria para juntar esses recursos, estão detalhados ao longo das cerca de 120 páginas. “Você sabe quanto era a folha de pagamento? Eu estou apresentando a planilha de pagamento original, que ainda era feito na mão pelo nosso tesoureiro”, acrescenta. Curiosamente, o ex-presidente tinha escrito 15 capítulos, mas tirou oito da primeira edição, porque citava muitos nomes “sem autorização” que “poderiam lhe render até um processo”, brinca.

“Sou o único membro da Academia Itajaiense de Letras que não tinha um livro escrito. Eu escrevia colunas em jornal. Sou aposentado há oito anos e comecei a pensar em fazer um livro, e tenho três em andamento. Um deles é sobre o Marcílio, porque o que eu vivi naquela década foi um movimento dentro da cidade muito grande, envolvendo paixão, envolvendo muita participação da cidade. Todo mundo que passava por mim, dizia: ‘ô, Nelson Abrão, ô, presidente, quando é que vai voltar?’ Não posso mais voltar. Então, estou voltando com o livro, dizendo com detalhes o que aconteceu que eles não viram, que eles não sabem”, explica Nelson Abrão, que completou neste mês 79 anos.

Uma das maiores dúvidas – e também tristezas – do torcedor marcilista é o porquê de o Siri Mecânico não ter conquistado um título catarinense. Nelson Abrão responde: “Tem uma verdade que a gente diz, claramente, e outra verdade que não pode ser muito alardeada, mas está no livro. Para quem viveu naquela época vai entender o que eu estou dizendo. Envolve muita coisa dentro do campo e muita coisa fora do campo. Naquela época, o Marcílio foi campeão moral. Bicampeão moral: 88 e 89. Mas não foi o campeão de levantar a taça. E eu espero até que com esse livro, os atuais gestores, os próximos gestores, entendam isso. Que existem forças internas e externas que podem impedir o título de campeão. Isso não é só aqui não, isso é universalmente”.

Se o troféu principal não veio nos dois anos de auge da equipe rubro-anil, o ex-presidente conta qual foi a maior alegria que viveu – e que poderá ser relembrada pelos leitores do seu livro: “Foi em 88, na conquista da primeira taça (turno) do campeonato. Nós ganhamos do JEC, lá dentro de Joinville. Quando nós chegamos aqui no trevo de Itajaí, a cidade praticamente inteira, eu nunca vi tanta gente, foi recepcionar o ônibus que veio de lá. Isso foi uma glória para o torcedor. A cidade se mexeu, porque era 23h30, o torcedor veio do trevo de Cordeiros andando até o estádio do Marcílio Dias com a gente”, completa.

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