
A defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, pediu a absolvição da acusada durante a audiência de instrução e julgamento, realizada na quarta-feira (19), em Joinville, no Norte catarinense. O Ministério Público se manifestou pela condenação. A sentença deve ser proferida pela Justiça em até cinco dias.
Amanda está presa preventivamente desde junho, após ser investigada por se passar por uma adolescente de 12 anos e ser acolhida por uma família no distrito de Pirabeiraba.
Durante a audiência, segundo os esclarecimentos divulgados pela defesa, foram ouvidas inicialmente as duas vítimas, seguidas pelas duas testemunhas de acusação e pelos peritos técnicos. Na sequência, Amanda foi interrogada. Com o encerramento da fase de produção de provas, foram apresentadas as alegações finais pelas partes.
O Ministério Público se manifestou pela condenação da acusada. Já a defesa sustentou a absolvição integral de Amanda. O juiz responsável pelo processo informou que a sentença deverá ser apresentada em até cinco dias.
Defesa pede revogação da prisão preventiva
Durante a mesma audiência, a defesa também solicitou a revogação da prisão preventiva de Amanda. O Ministério Público se manifestou contra o pedido de liberdade. Diante disso, o magistrado informou que irá analisar a solicitação juntamente com a sentença do processo.
Mulher fingiu ter 12 anos enganou família durante 14 meses
Amanda foi presa em junho deste ano após a investigação apontar que ela teria se apresentado como uma menina de 12 anos para uma família de Joinville. Segundo o delegado Rodrigo Gusso, Amanda conheceu os familiares por meio de uma igreja. Ela teria procurado ajuda na congregação e contado que era do Pará e havia sido vítima de abuso.
Ainda conforme a investigação, a mulher também afirmou ter passado por uma casa de prostituição, onde teria sido obrigada a tomar hormônios. A história teria sido usada para explicar sua aparência adulta.
A família, sensibilizada pelo relato, acolheu Amanda por aproximadamente 14 meses. Durante o período, ela utilizava o nome “Gabrielle” e, segundo a investigação, mantinha comportamentos considerados infantis para sustentar a identidade que havia apresentado.
Entre os itens utilizados estavam chupetas, mamadeiras e cobertores. A família também teria comprado roupas e custeado tratamentos, incluindo o medicamento Mounjaro, acreditando que ela apresentava um quadro de obesidade infantil. Os familiares chegaram a organizar uma festa de aniversário para comemorar os supostos 12 anos da menina.
A verdadeira identidade de Amanda teria sido descoberta depois que um familiar recebeu um alerta de outro parente sobre a possibilidade de ela não ser uma criança, mas uma mulher adulta.
Investigação aponta casos semelhantes em outros estados
O caso de Joinville não seria o único envolvendo a suspeita. Conforme as investigações, Amanda teria utilizado histórias semelhantes em outros estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
No Paraná, ela teria enganado cerca de 12 pessoas ao se apresentar como uma menina de 13 anos. Na ocasião, segundo a investigação, afirmava estar em estágio terminal de leucemia e pedia ajuda financeira.
A suspeita teria utilizado grupos religiosos nas redes sociais para se aproximar das vítimas e posteriormente solicitado transferências via Pix, alegando necessidade de dinheiro para exames. As informações sobre outros possíveis casos fazem parte das investigações relacionadas à atuação de Amanda em diferentes estados.
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