
A sessão de ontem da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú teve um novo embate entre Marcelo Achutti (MDB) e Jair Renan Bolsonaro (PL). Um dia depois da discussão nos bastidores, Achutti afirmou que Jair Renan o mandou “tomar no cu” e de fazer beijinhos provocativos durante a sessão.
Durante a votação de um projeto, Achutti pediu questão de ordem ao presidente Marcos Kurtz (Podemos). “O vereador Renan está me mandando tomar no cu no plenário aqui. Questão de ordem, presidente”, disse.
Kurtz pediu que Achutti esperasse a vez de falar. O vereador respondeu que a questão era regimental “porque não se pode mandar tomar no cu no plenário”. O presidente informou que a denúncia apresentada por Achutti será apurada pela Comissão de Ética da Câmara e pediu que Jair Renan mantivesse a ordem. Na transmissão da TV Câmara, Jair Renan aparece mandando beijinhos para Achutti. Os dois ficam quase lado a lado, separados por um vereador. Pelas imagens, não é possível confirmar se Jair Renan xingou Achutti.
Seguranças
Em ofício ao presidente da câmara, Achutti pediu informações sobre homens que, segundo ele, trabalham como seguranças particulares ligados ao gabinete de Jair Renan. O vereador também questiona se algum deles seria policial militar da ativa.
Achutti quer saber quantos profissionais estão ligados ao gabinete, se a presença deles na Câmara é autorizada e se há vínculo com órgãos públicos. Caso sejam policiais militares da ativa, pede que o caso seja encaminhado aos órgãos competentes.
“Registro que o objetivo deste ofício é buscar esclarecimentos e preservar a regularidade do funcionamento do poder legislativo, sem qualquer julgamento antecipado sobre a conduta dos profissionais mencionados. Solicito, por fim, resposta formal desta presidência acerca das providências adotadas”, escreveu.
Dois dias de briga
O embate começou na sessão de terça-feira, durante a discussão de um requerimento de justificativa de Jair Renan sobre as ausências nas sessões de 16 e 18 de setembro. O requerimento foi rejeitado por 10 votos a cinco.
Achutti questionou a justificativa e defendeu que o colega pedisse licença caso não consiga acompanhar as sessões por causa da campanha à câmara federal, alegando que ele recebeu R$ 3 milhões de fundo eleitoral.
Na tribuna, Jair Renan disse que deve faltar em outras quartas-feiras para visitar o pai e que as faltas não teriam ligação com a campanha política. Ele alega que o pai, o ex-presidente Bolsonaro, é “preso político por ser perseguido pelo STF e pelo atual governo". Também rebateu as críticas sobre o uso do Fundo Eleitoral.
Depois da sessão, a discussão continuou. Achutti disse ter interpretado a aproximação de Jair Renan nos bastidores como tentativa de intimidação e questionou a presença de homens que o acompanhavam, afirmando que estariam armados dentro da câmara.
A assessoria de Jair Renan negou a presença de seguranças armados e informou que os homens são voluntários que trabalham com a segurança do vereador. Também alegou que justificava de faltas, mas não pedia o abono delas.
Em 2026, segundo consulta à câmara de vereadores de BC, Jair Renan teve 21 faltas. Seis foram abonadas e não tiveram desconto no salário. Em vários dias, o vereador chegou atrasado às sessões e compareceu apenas para as votações.
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