
25.05 - Após uma vaquinha on-line arrecadar R$ 120 mil para o translado do corpo de Jesse Koz, de 29 anos, de Portland, nos Estados Unidos, para o Brasil, a família e amigos agora se dedicam aos trâmites burocráticos para o deslocamento. O corpo de Jesse e as cinzas do seu fiel e inseparável amigo, o cão Shurastey, serão trazidos para Balneário Camboriú.
Felipe Pires, amigo de Jesse desde 2012, informou que alguns políticos catarinenses e personalidades brasileiras estão ajudando a família e os amigos na documentação para a liberação do corpo nos Estados Unidos.
“O governador do Estado e pelo que entendi o Ministro da Relações Exteriores também ajudaram. Precisa fazer umas certidões, apostilar essas certidões, levar uma porção de documentos. Estando tudo isso em ordem, vai ser trasladado o corpo do Jesse para o Brasil em um caixão de madeira para fazermos um velório cristão aqui em BC”, informou. Já o corpo do Shurastey será cremado nos Estados Unidos e somente as cinzas, em uma urna, virão para o Brasil.
Felipe diz que a cidade natal de Jesse era Curitiba, mas a vida dele foi em Balneário Camboriú. O amigo comenta que as ferragens do Fusca também devem vir para o Brasil. A data para o velório e a cremação de Jesse ainda estão indefinidas, dependendo da liberação documental para o embarque do caixão para o Brasil.
A estimativa é de que a chegada do corpo aconteça em até uma semana. Felipe conversou com a polícia americana e, até o translado, o corpo fica em uma espécie de necrotério refrigerado.
Mãe foi avisada pessoalmente
Felipe foi o primeiro a saber da morte de Jesse. Ele estava como um dos contatos de emergência e recebeu a ligação na segunda-feira por volta das 11h30 - horário de Brasília. “A tia dele mora em BC, a mãe dele mora em Curitiba. E foi por isso que "seguramos" a notícia. Fui o primeiro a saber porque eu era uma espécie de contato de emergência. Avisei a tia dele e antes de anunciarmos na internet, a tia preferiu primeiro ir até Curitiba avisar a mãe”, explica.
A mãe adotiva tem 67 anos. O pai Jesse não conheceu. A mãe biológica, ele sabia quem era, mas como foi abandonado na infância, nunca procurou manter contato.
Preso às ferragens
Sobre o acidente, Felipe conta que Jesse seguia na pista da direita da rodovia. A estrada que Jesse estava era uma “highway dos EUA”, o equivalente às nossas rodovias. Pista dupla de vai-e-vem, com faixa amarela no meio.
“Alguma coisa estava puxando o Fusca para a direita... O que era? Não sabemos. Talvez o Jesse estivesse mexendo no celular, talvez ele estivesse acudindo o Shurastey, talvez deu um mal súbito nele, talvez a barra de direção deu algum problema ou simplesmente a própria força centrípeda puxava ele. Quando ele se deu conta, abruptamente, ele virou o volante para a esquerda. Essa virada de volante fez com que as rodas ficassem na lateral e ocasionaram o capotamento do fusca para a pista da esquerda”, explica.
Praticamente no mesmo tempo, outro carro, que vinha na direção contrária, acabou colidindo com ele. O Shurastey morreu na hora, no mesmo segundo do impacto. Já o Jesse ficou preso às ferragens e tentou sobreviver, mas morreu no local, antes de qualquer tipo de socorro chegar.
O acidente aconteceu a 3,7 mil km do Alaska, a cerca de dois dias do destino final, mas não era isso que importava. Jesse estava atento à travessia.
Fonte: Diarinho
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