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Pós-eleições

Pós-eleições - Listas de “boicote a petistas” circulam na net

Pós-eleições - Listas de “boicote a petistas” circulam na net

07/11/2022 às 08h24 Atualizada em 07/11/2022 às 11h24
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Empresas e profissionais tem nomes listados em grupos de WhatsApp – Foto/Divulgação
Empresas e profissionais tem nomes listados em grupos de WhatsApp – Foto/Divulgação

07.11 - Listas de “boicote a petistas” estão circulando na região de Itajaí por meio das redes sociais e em grupos de WhatsApp. As ações vêm ocorrendo em diversos estados desde o resultado das eleições presidenciais, com vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Empresários e profissionais da região denunciam perseguições e ameaças.

As mensagens estimulam o boicote contra empresas e profissionais rotulados de “petistas” ou que não se manifestam abertamente como bolsonaristas. O pedido é pra que as pessoas não comprem, consumam ou contratem produtos e serviços de quem está na lista. As mensagens ainda pedem que as pessoas ajudem a atualizar a lista, incluindo novos nomes.

Nas listas da região aparecem desde grandes empresas, como banco Itaú e Natura, até profissionais autônomos, como manicures e cabeleireiros, além trabalhadores informais, como vendedores de Trimania e de conservas. “Vamos boicotar, já que estão nos chamando de gado”, diz uma das mensagens. “Não devemos de forma alguma apoiar essas pessoas. Pela Pátria, pela Família, pela Liberdade”, traz outra postagem, seguida da lista de empresas.

Há empresas e pessoas listadas em Itajaí, Balneário Camboriú, Navegantes, Itapema, Penha, Luiz Alves e Camboriú.

O membro de um grupo de empreendedores da região denunciou que a administradora do grupo instiga o assédio contra profissionais e age de forma antidemocrática. “Ela enviou uma lista de estabelecimentos a serem boicotados por terem supostamente apoiado o candidato Lula”, diz.

Outro denunciante relata perseguição contra quem votou no PT. As pessoas, mesmo sem saber, acabam tendo os nomes e suas empresas incluídas nas listas espalhadas arbitrariamente em vários grupos. Algumas listas também incluem os números de telefone de “petistas” que estariam infiltrados em grupos bolsonaristas pra denunciar a prática.

Discussão na justiça

A orientação do professor Jefferson Custódio Próspero, especialista em Direito Civil e Direito Eleitoral, da Univali, é que as pessoas façam um boletim de ocorrência e guardem os “prints” das mensagens pra identificação dos autores. “A questão é essa: identificar quem está fazendo isso. Porque acaba vindo apócrifo. Isso se propaga e a gente não consegue identificar a autoria”, observa.

Jefferson ressalta que ainda há dúvida quanto às implicações da prática no âmbito criminal e civil, o que está sendo analisado pela também professora da Univali, Karla Sodré, advogada que atua nas áreas do direito penal, eleitoral e administrativo. “Na pior das hipóteses” o professor prevê enquadramento no âmbito eleitoral.

Por isso, além de BO, ele orienta denúncia também ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público comum, anexando cópia do BO e dos prints das listas. Jefferson relata que a manicure que atende a casa dele perdeu cinco clientes devido às listas.  “Lá em Navegantes, alguém fez a lista, colocou o nome dela e agora estão boicotando a trabalhadora. A gente está tentando ajudar, arrumando clientes pra suprir, porque faz falta”, conta.

Em Santa Catarina, a seção estadual da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, em parceria com grupos e entidades, faz a coleta de informações pra responsabilização de organizadores, financiadores e apoiadores de atos antidemocráticos, bem como de eventuais omissões de autoridades. A ação foi criada após os bloqueios nas estradas, mas qualquer ilegalidade pode ser relatada.

Fonte: Diarinho

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