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Maus-tratos – Morador de rua diz que foi “sequestrado” pela prefeitura de Balneário Camboriú e deixado em São João do Itaperiú

O catador de recicláveis assegura ter sido “jogado” em van e largado com fome e "desovado" pela prefeitura de BC na SC-415.

03/03/2023 às 10h40
Por: Carneiro News Fonte: Diarinho
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L.M.S., foi encontrado em um ponto de ônibus e atendido pela Assistência Social de São João do Itaperiú – Foto/Redes Sociais
L.M.S., foi encontrado em um ponto de ônibus e atendido pela Assistência Social de São João do Itaperiú – Foto/Redes Sociais

03.03 - Um morador de rua de iniciais L.M.S., de 41 anos, acusa a prefeitura de Balneário Camboriú de agressões e transporte irregular. A denúncia foi registrada em um boletim de ocorrência na Polícia Civil após a Secretaria de Assistência Social de São João do Itaperiú, relatar o caso.

De acordo com uma assistente social de São João do Itaperiú, o homem foi resgatado por uma equipe do município após aparecer ferido na SC 415, que cruza a cidade. Ele teria sido levado por agentes de Balneário Camboriú em um carro do Resgate Social e abandonado na beira da rodovia.

O morador de rua, que vive da coleta de materiais recicláveis, buscou abrigo em um ponto de ônibus próximo ao Corpo de Bombeiros Voluntários. Ele estava com ferimentos na cabeça e fome.

A Secretaria de Assistência Social optou por gravar um vídeo com ele, onde o homem revela a agressão e acusa a prefeitura de Balneário Camboriú pelos maus-tratos.

L.M.S. revelou que tem residência fixa, embora fique nas ruas, e que sua família mora no bairro dos Municípios, em Balneário Camboriú.

O catador teria sido abordado pelo Resgate Social de Balneário na noite de 7 de fevereiro e seria levado a um alojamento para tomar banho e se alimentar, junto a outros homens. Porém, ele foi colocado dentro de uma van - onde teriam ocorrido as agressões - e abandonado em São João do Itaperiú.

Os servidores de São João apontam que houve relatos de moradores da cidade que viram um carro do Resgate Social de Balneário descarregando moradores de rua na cidade e na vizinha Barra Velha. A assistente social confirma que L.M.S. estava com muitos hematomas, dores, ânsia de vômito e sem forças.

Prefeitura de BC nega

O DIARINHO ouviu tanto o setor de Segurança Pública de Balneário quanto o Resgate Social. O secretário Antônio Castanheira, da Segurança, informou que na secretaria não há informações sobre a acusação.

Castanheira ainda pontuou que todo o trabalho junto ao público em vulnerabilidade é feito de forma a atender a legislação. Usuários de drogas, alcoólatras e demais moradores nessas condições são enviados para a Clínica Social, na rua Itália, e têm direito a psiquiatras e médicos.

“Eles são deslocados para lá. Mas muitos não gostam do projeto, porque não querem se tratar”, informa ele.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Inclusão, responsável pelo setor de Resgate Social, também se posicionou. Segundo a pasta, as denúncias de agressões “não procedem” e não há pessoas em situação de rua levadas para outras cidades de maneira irregular.

A secretaria, entretanto, confirmou que conhece L. “O último atendimento realizado ao mesmo foi no dia 6 de janeiro passado, quando ele informou residir no bairro dos Municípios e possuir parentes no Oeste de Santa Catarina”, afirma.

A prefeitura garante que a abordagem social não possui em sua frota veículo com a placa alegada pelo morador de rua. E a Clínica Social local encaminha, desde que haja a possibilidade de conexão com o vínculo familiar, através de passagens de ônibus para as cidades de origem, e de tratamento para dependência química.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e as falas de L.M.S. estão gravadas em vídeo, para registro da prefeitura, e embasam o boletim de ocorrência registrado junto à Polícia Civil.

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