
27.03 - O batimento de quilha da primeira das quatro fragatas da Marinha do Brasil que serão produzidas em Itajaí marcou uma nova fase na construção das embarcações da classe Tamandaré. A cerimônia foi na sexta-feira, no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul. O projeto já gerou 600 vagas de empregos e tem no momento outras 40 disponíveis. Serão 2 mil vagas geradas até o final dos trabalhos.
A quilha é a estrutura embaixo da embarcação que se estende da proa à popa, formando a “espinha dorsal” do navio. O batimento de quilha é um dos rituais mais tradicionais na construção naval, representando uma forma de trazer boa sorte. Os avanços da tecnologia trouxeram mudanças na produção, mas o ritual persiste.
No caso do projeto das fragatas, o modelo prevê a produção em blocos, que são construídos separadamente e unidos no final. Em Itajaí, o batimento foi caracterizado pelo posicionamento do primeiro bloco estrutural da viga do navio. A moeda comemorativa usada no batimento foi colocada na estrutura que corresponderia à quilha do navio em ato simbólico e será fixada na embarcação quando a fragata for lançada.
A construção em módulos é inédita na construção naval militar no Brasil. O bloco estrutural usado no batimento de quilha pesa cerca de 52 toneladas. Ele corresponde à praça de máquinas da frente do navio e vai receber a instalação de dois motores, caixa redutora, bomba e equipamentos auxiliares.
A produção da primeira fragata do projeto começou em setembro de 2022. O lançamento do navio é estimado para 2024, com a entrega à Marinha prevista pra dezembro de 2025. Depois, serão entregues mais três embarcações, em 2027, 2028 e em 2029. O corte da chapa do casco da segunda fragata, que marca o início da construção, deve ser finalizado este ano.
De acordo com o consórcio Águas Azuis, o cronograma do projeto avança dentro do planejamento, com 34% de evolução dos mais de 50 blocos que formarão a estrutura do primeiro navio. Para as próximas etapas, está prevista a edificação do bloco da praça de máquinas da parte de trás do navio, com o posicionamento dos equipamentos e motores. Depois, os blocos completarão as estruturas centrais da fragata.
O processo de montagem já tem os painéis e submontagens finalizados. Quanto à qualificação do pessoal responsável pela manutenção dos sistemas do navio, já foram concluídas cerca de 50% das atividades sobre engenharia de sistemas e apoio logístico integrado.
O diretor-geral do Material da Marinha, almirante de esquadra Arthur Fernando Bettega, destacou o avanço do projeto. “Presenciamos o encontro da tradição com a premente modernidade tecnológica, resultando em otimização da produção e aumento da segurança dos colaboradores e das informações”, comentou.
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