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Justiça Condenação

Autor de ataque a creche em Saudades é condenado a 329 anos de prisão

Em 4 de maio de 2021, Fabiano Kipper Mai, 20 anos, invadiu creche e matou 3 crianças e duas funcionárias. Julgamento ocorreu em dois dias e terminou na noite de ontem.

11/08/2023 às 08h20
Por: Carneiro News Fonte: G1
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Foto/Divulgação
Foto/Divulgação

11.08 - Fabiano Kipper Mai, 20 anos, acusado de matar três crianças e duas professoras de uma creche em Saudades, no Oeste de Santa Catarina, em 4 de maio de 2021, foi condenado a 329 anos e quatro meses de prisão em regime inicialmente fechado. Cabe recurso.

O júri popular durou dois dias, começando na quarta-feira (9). A sentença foi dada na noite desta quinta (10). O homem já estava preso preventivamente desde o dia do crime. Além das mortes, o acusado também feriu um menino, na época com 2 anos, que sobreviveu.

O juiz determinou que tudo o que foi apreendido durante a investigação, como o computador e instrumentos do réu, seja destruído.

A condenação foi a soma das seguintes penas:

40 anos de reclusão para cada uma das vítimas menores de idade: Murilo, Sara e Ana Bella

30 anos de reclusão para as vítimas: Mirla e Keli

26 anos e 8 meses para o menino de 2 anos que ficou ferido e sobreviveu

Oito anos de reclusão para cada tentativa de homicídio

Ele recebeu penas por cinco homicídios triplamente qualificados e 14 tentativas de homicídio qualificadas contra crianças e funcionários que estavam na unidade de ensino. As qualificadoras foram motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Além dessas penas, o réu precisará indenizar as famílias da seguinte forma:

R$ 500 mil para a família de cada vítima que morreu

R$ 400 mil para a família da criança ferida que sobreviveu

R$ 40 mil para cada tentativa de homicídio

O julgamento ocorreu no fórum de Pinhalzinho, cidade vizinha de onde aconteceu o crime, com forte esquema de segurança. Familiares e o público puderam acompanhar.

Os jurados começaram a votação às 15h19 e terminaram às 18h55. O grupo é formado por seis mulheres e um homem. Eles foram escolhidos por sorteio antes do início do júri na quarta.

A sentença começou a ser lida às 19h57.

Quatro promotores de Justiça atuaram no júri. Eles conseguiram provar que o réu possuía plena capacidade mental quando cometeu o crime, conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Após o julgamento, muitos moradores ficaram do lado de fora do fórum de Pinhalzinho. Às 21h50, o réu saiu do fórum escoltado por três viaturas da segurança pública.

Ele foi levado para o presídio de Chapecó, na mesma região. As ruas que circundam o fórum foram liberadas, após o esquema de segurança montado para o júri.

Quem foram as vítimas

Três crianças e duas funcionárias morreram no ataque a creche:

Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, era professora e dava aulas na unidade há cerca de 10 anos

Mirla Renner, de 20 anos, era agente educacional na escola

Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses

Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses

Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses.

Quem é Fabiano

Um jovem com poucos amigos, introspectivo e fechado até mesmo com a família. Fabiano Kipper Mai, 18 anos, cursava o 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Rodrigues Alves, em Saudades, Santa Catarina. Desde março do ano passado, assistia aulas de forma remota devido à pandemia. No começo do ano letivo de 2021, teve a opção de retornar para a escola. Preferiu seguir em casa.

O autor da chacina que matou três bebês e duas professoras na Escola Pró-Infância Aquarela na manhã de terça-feira (4) tinha uma rotina que envolvia trabalho, estudos e longas horas trancado dentro do quarto navegando pela internet.

Morava em uma residência de alvenaria com o pai, jardineiro, a mãe, dona de casa, a irmã e a avó materna, além de um cachorro, gato e um coelho que corria pela casa. No terreno ao lado, a família planta flores e frutas para consumo próprio. Todos deixaram o endereço, no bairro Morada do Sol, conhecido por ser castigado por cheias frequentes do Rio Saudades, e estão abrigados na casa de parentes.

Fabiano trabalhava bordando roupa em uma fábrica de confecções da cidade. Cumpria turno das 5h às 15h, com intervalo de uma hora. Pelos colegas de trabalho é descrito como um homem quieto e que jamais deu sinais de que estava planejando atacar uma escola.

Na data da chacina, trabalhou como outro dia qualquer até 9h15min. Até o momento do crime, Fabiano não era um rosto conhecido na cidade, diferentemente do pai, que costumava a ir campings jogar bocha, mas nunca acompanhado do filho. Era dentro do quarto que Fabiano passava a maior parte do tempo com jogos online.

 

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