
Faleceu no dia de hoje aos 79 anos, o cancioneiro popular, Alcides Lídio dos Santos, o Nino Folião, mais conhecido como Pica Pau. Ele era presença garantida nas Folias de Reis, Mastro de São Sebastião, Fandango de São Gonçalo, Folia do Divino, Chimarrita, nas Cantigas e músicas Populares de Penha.
Nascido de parteira no bairro Armação do Itapocorói e batizado Alcides Lídio dos Santos, o Nino da Badinda, iniciou sua história com o mar já na primeira infância, seguindo o pai. De famílias tradicionais - Souza da mãe e Santos do pai, desde pequeno já despertava os ouvidos para melodias e cantigas da cultura popular.
Casou-se com Maura, filha do saudoso folião rabequeiro, o popular Seu Bileu, de quem herdou a rabeca e o dom de ser folião do Divino. Por décadas acompanhou inúmeros imperadores nos peditórios da bandeira do Divino e nas coroações.
Nino Iniciou a vida no mar com a pesca artesanal e embarcou em várias praças pelo litoral brasileiro. Mas foi na navegação de cabotagem que ele viveu e vivenciou muitas histórias até sua aposentadoria.
Na pesca firmou amizades com cantores e melodistas populares de Armação como os saudosos: Seu Picucho, Seu Osvaldo, Passinho, Domingo Bejú, Biba, Tavo, também com Paulinho da Viola, Pedro Paulo, Caiçara e outros mais, nas trovas de viola, sertanejas e músicas raízes da nossa terra.
Foi do Tavo que herdou as letras que entoam, encantam e arrepiam a quem as ouve. "Querida Armação de Itapocorói, longe de ti a saudade dói", a melodia que virou hino de Armação, sendo tocada e entoada aos quatro cantos.
Mestre da Cultura penhense
Aposentado, por anos manteve sua embarcação na Praia do Cascalho, onde praticava a pesca artesanal por lazer, por paixão.
Nino foi retratado no painel cultural do projeto Retratos da Nossa Gente, em homenagem à pesca artesanal, na Praia do Cascalho
Ele também foi reconhecido pela Fundação Cultural de Penha Picucho Santos em 2023 como Mestre da Cultura Popular de Penha SC com o Troféu Franklin Bento de Trajetória Cultural da cidade, além de receber Certificado.
“Nossas Folias de Reis, o Mastro de São Sebastião, o Fandango de São Gonçalo, a Folia do Divino, a Chimarrita, as Cantigas e músicas Populares não serão mais as mesmas sem o Alcides.
A voz se cala, as melodias se eternizam nas nossas memórias”, conclui o professor e historiador Eduardo Bajara de Souza.
Velório e sepultamento
O velório teve início as 21h, na Capela Mortuária de Igreja de São João Batista e São Pedro, no bairro Armação do Itapocorói. O sepultamento acontece amanhã em horário a ser definido pelos familiares.





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