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Policial Caso Isabela

Polícia diz que Isabela pode ter sido morta em Itajaí e levada ao RS

Delegado trata o caso como feminicídio e acredita que mãe também estaria na mira do assassino. Pai teria usado arma de choque antes de amarrar a filha pelas mãos.

20/01/2026 às 08h40
Por: Carneiro News Fonte: Diarinho
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Isabela pode ter sido morta em Iajaí e kevada para o RS - Foto/Reprodução Redes Sociais
Isabela pode ter sido morta em Iajaí e kevada para o RS - Foto/Reprodução Redes Sociais

A Polícia Civil afirmou, em coletiva na 4ª Delegacia Regional de Itajaí, na manhã de ontem, que a principal linha de investigação aponta feminicídio no caso de Isabela Miranda Borck, de 17 anos. O pai dela, A.B., de 53, está preso no Complexo Penitenciário de Itajaí.

Segundo o delegado Roney Péricles, o investigado não confessou e apresentou uma versão de “acidente” que não bate com o que já foi apurado.

A narrativa surgiu num interrogatório feito durante a transferência do acusado do Mato Grosso do Sul para Itajaí — transferência que, segundo a Polícia Civil, fez parte de uma estratégia para avançar na apuração. A polícia diz que encontrou contradições no relato.

O que disse o pai

Na versão de A.B., ele veio a Itajaí para “buscar esclarecimentos” sobre o que chamou de injustiça na condenação por estupro contra a própria filha. Disse que queria surpreender Isabela e a mãe na madrugada para discutir a condenação. A Polícia Civil, porém, trabalha com a convicção de que o objetivo era matar as duas, mesmo que ele negue. “Tudo indica que o plano inicial era tirar a vida de ambas”, afirmou Roney.

Na versão do pai, o plano era levar Isabela e a mãe para o Rio Grande do Sul para conversar sobre o caso. Ele disse que chegou na sexta-feira, ficou em uma rua nos fundos da casa e entrou por uma área de mata. A ideia seria agir sem chamar atenção de vizinhos. Só que a mãe saiu para trabalhar e, segundo ele, a primeira tentativa fracassou.

O homem também contou que conhecia os horários de plantão da ex-esposa e, por isso, esperou até o sábado. A Polícia Civil acrescentou que houve uma troca de plantões inesperada e a mãe novamente não estava em casa. Foi nesse cenário que ele levou apenas Isabela.

Dormiu dentro do carro

Durante a coletiva, a Polícia Civil frisou que esse detalhe reforça a suspeita de planejamento: ficar no veículo evitaria registro de hospedagem em hotel e reduziria rastros na cidade.

O pai contou que abordou Isabela quando ela descia uma escada externa da casa e a levou até o carro, estacionado numa rua de trás, perto de uma área de vegetação. Ele disse que escolheu esse caminho por ser mais escondido e que usou um taser (arma de choque) para ameaçar a adolescente e impedir gritos.

A Polícia Civil, porém, destacou um ponto que pesa contra a versão de “abordagem do lado de fora”: Isabela estava descalça. A mãe relatou que os calçados da filha ficaram dentro de casa e que havia um chinelo perto da porta.

Por isso, a investigação trabalha com a convicção de que o pai entrou na casa e sequestrou Isabela lá dentro, e não apenas no acesso externo.

Ainda na versão do pai, já no carro, Isabela teria tentado fugir. Ele disse que usou o taser para imobilizá-la e amarrou a adolescente antes de seguir viagem. A Polícia Civil confirmou que encontrou no veículo equipamentos próprios para aplicar choque.

O investigado afirmou que passou por vários pedágios até Caraá (RS), pagou tudo em dinheiro. Ele diz que Isabela não reagiu.

A polícia vê estranheza nisso e apontou outra contradição: ele disse que ela estava com as mãos amarradas, mas também contou que, ao chegar ao RS, Isabela abriu a porta do carro e correu para a mata.

Feminicídio e ocultação do corpo

No relato do investigado, Isabela teria fugido para a mata e ele teria dificuldade para alcançar a adolescente. Ele afirmou que procurou por horas até encontrá-la caída, já sem vida, após ter sofrido um acidente ao cair em um buraco. Depois disso, disse que entrou em desespero e decidiu esconder o corpo sob pedras.

Na coletiva, Roney Péricles reforçou que a polícia trabalha em outra direção. “A principal linha de investigação aponta, no presente momento, para que tenha ocorrido o feminicídio e, posteriormente, a ocultação do cadáver”, disse o delegado.

A Polícia Civil investiga a hipótese de Isabela ter sido morta ainda em Itajaí e, depois, levada ao Rio Grande do Sul, onde o criminoso tinha mais domínio da região para ocultação do corpo.

A polícia explicou que chegou ao local depois que o investigado indicou a área. Segundo Roney, naquele momento não havia autorização para levar o preso até o ponto exato, então as equipes foram ao Rio Grande do Sul e fizeram buscas perto da casa onde ele morava, com apoio da polícia local. O corpo foi encontrado a aproximadamente 200 metros da casa onde o pai de Isabela morava.

O local é um ponto seco de arroio. O corpo foi colocado dentro de um buraco, coberto e escondido sob pedras, com isolamento com lona para dificultar o acesso visual e o cheiro. Durante a retirada, houve percepção de odor e vestígios compatíveis com o estado do cadáver. A perícia do Rio Grande do Sul assumiu os trabalhos no local.

A Polícia Civil informou que o corpo estava em estado avançado de decomposição, o que impede, por enquanto, a definição da causa da morte.

Roney Péricles informou que o pai responde por feminicídio e ocultação de cadáver no Rio Grande do Sul. A apuração também avalia a tipificação de sequestro, que vai depender do que a investigação conseguir comprovar sobre a dinâmica — se realmente foi assassinada em Itajaí, como trabalha a linha de investigação atual.

Ainda faltam laudos conclusivos para esclarecer a causa da morte e indicar com mais precisão o local e o momento da morte. A Polícia Civil afirmou que a investigação continua.

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