
A Polícia Federal iniciou na manhã de ontem a Operação Benaia, que investiga um suposto esquema milionário de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo um servidor público federal. O principal alvo da investigação é o ex-chefe da Receita Federal em Itajaí, Marcus Vinicius Nali Simioni Filho, que atuou em Itajaí entre 2010 e 2022. Atualmente, Marcus estava lotado no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).
A PF apurou que o servidor da Receita teria mantido um alto padrão de vida, incompatível com o salário da sua função pública, financiado por empresários do setor de logística de Itajaí e região. Segundo a investigação, viagens internacionais, o aluguel de uma casa de alto padrão, despesas pessoais e até presentes de luxo teriam sido pagos por empresários corruptos beneficiados por sua atuação funcional na Receita.
“Desde o início da investigação, que começou a partir de uma denúncia anônima, identificamos indícios de que o servidor mantinha um patrimônio e um padrão de vida incompatíveis com sua renda. Ao aprofundarmos as apurações, verificamos pagamentos de despesas pessoais feitos por empresários beneficiados por sua atuação”, explicou o delegado da PF, Christian Luz Barth.
De acordo com o delegado, o ex-servidor morava em uma casa de alto padrão com aluguel mensal de R$ 14 mil, pago por empresários investigados. A PF também identificou pagamentos de despesas de cartão de crédito, gastos pessoais e até uma viagem ao exterior custeada integralmente por um empresário que acompanhou o servidor. “Havia também pagamento de despesas de cartão de crédito, despesas pessoais, inclusive se identificou uma viagem para o exterior que foi totalmente bancada por um empresário que acompanhou este servidor”, disse o delegado.
Com a investigação, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de 24 ordens de busca e apreensão em Santa Catarina e São Paulo nesta terça. Na casa de um dos empresários investigados foram encontrados R$ 515 mil em grana.
Durante a operação, também foram apreendidos 15 relógios de luxo, 19 veículos, 10 notebooks, quatro HDs e 15 celulares. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de 25 imóveis e o bloqueio de 65 contas bancárias. A Polícia Federal também localizou contratos imobiliários sem registro formal e ainda contabiliza valores apreendidos em moeda estrangeira. Os policiais identificaram que o ex-chefe da Receita mantinha empresas em nome de familiares. Essas estruturas teriam sido utilizadas para ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade aos valores recebidos.
Servidor é afastado
Além do cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina e São Paulo, o juiz federal Marcelo Michelotti determinou o afastamento do investigado das funções públicas no decorrer das investigações, mas não autorizou prisões nesta fase da operação.
As buscas são em três endereços em Itajaí e em outros municípios paulistas: Guarulhos (três mandados), São Paulo (três), Santana de Parnaíba (dois), Barueri (um), Paulínia (dois), Valinhos (um), Hortolândia (um) e Campinas (oito).
Após pedido da PF, a Justiça autorizou o acompanhamento de servidores da Receita Federal em parte das diligências. A análise dos materiais apreendidos deve auxiliar na identificação de novos envolvidos e de possíveis crimes relacionados ao esquema investigado.
Ex-diretor de empresa é investigado
Segundo a investigação, o servidor atuava diretamente em processos fiscais de importação e exportação relacionados aos empresários investigados. “Esse servidor trabalhava em processos ligados a esses empresários. O pagamento de vantagens por parte de pessoas diretamente beneficiadas por sua atuação é um forte indicativo de irregularidade. Estamos em uma fase importante da investigação, com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. A partir dos elementos recolhidos, será possível aprofundar as apurações”, afirmou o delegado.
A Polícia Federal estima que o ex-chefe da Receita tenha recebido ao menos R$ 5 milhões de forma ilegal para favorecer empresários em processos alfandegários. Na época dos fatos investigados, ele ocupava cargo de chefia na Receita Federal em Itajaí e tinha poder de influência sobre procedimentos ligados ao comércio exterior.
Além do servidor, um advogado de Itajaí, que atuava como diretor de uma grande empresa de logística da cidade, também é investigado por pagar propina ao ex-chefe da Receita.
Parte dos valores, segundo a PF, foi depositada na conta jurídica de uma empresa em nome da esposa do investigado, uma loja de roupas de grife em Campinas.
Os agentes também fizeram buscas em uma barbearia ligada ao servidor em um shopping da Praia Brava.



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