
Um morador de Balneário Camboriú foi preso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por suspeita de envolvimento em um golpe que causou prejuízo superior a R$ 37 milhões a uma idosa de aproximadamente 70 anos. Dono de uma das instituições financeiras investigadas, ele recebeu uma movimentação de R$ 77 milhões em sua conta pessoal logo após o golpe sofrido pela vítima.
A prisão ocorreu com apoio da Polícia Federal. A vítima é uma mulher de aproximadamente 70 anos que já tinha experiência com investimentos. Segundo o delegado responsável pela investigação, os recursos que ela transferiu para a plataforma falsa eram provenientes de uma herança que havia recebido, além da rentabilidade acumulada em outros investimentos.
A idosa tinha um perfil considerado agressivo para investimentos e buscava aplicações com maior rentabilidade. Ela contava com um corretor de uma instituição legítima, que a desaconselhava a realizar aportes muito altos em investimentos considerados arriscados.
Mesmo assim, a mulher retirou os recursos que mantinha na corretora e transferiu o dinheiro para a plataforma falsa. Com isso, perdeu o patrimônio recebido da herança e também os rendimentos que havia acumulado anteriormente.
O prejuízo ultrapassou R$ 37 milhões e foi o ponto de partida da investigação da Polícia Civil.
Entenda como aconteceu o golpe contra idosa
A mulher foi inserida em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro. Nos grupos, supostos especialistas, assistentes e outros participantes interagiam de forma organizada para transmitir uma aparência de profissionalismo e segurança.
Os criminosos apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos. Com isso, a vítima acreditava que seus investimentos estavam gerando lucro e era estimulada a realizar aportes cada vez maiores.
Quando tentou retirar o dinheiro, porém, os saques foram bloqueados. A partir desse momento, começaram a surgir novas cobranças, apresentadas como taxas, impostos ou valores necessários para liberar o patrimônio. Cada pagamento era seguido por uma nova justificativa, fazendo com que a vítima continuasse transferindo dinheiro na tentativa de recuperar o que já havia investido.
A Polícia Civil identificou ao menos 140 possíveis vítimas relacionadas à mesma dinâmica. A apuração também revelou uma estrutura com divisão de tarefas, envolvendo a captação das vítimas, abertura e movimentação de contas, intermediação financeira e conversão de parte dos recursos em criptoativos.
Morador de Balneário Camboriú entre os alvos
O homem preso no Rio de Janeiro é dono de uma das instituições financeiras investigadas na operação e reside em Balneário Camboriú. Conforme os dados divulgados pela Polícia Civil, a conta pessoal dele recebeu R$ 77 milhões logo após o golpe contra a vítima.
Além dele, a investigação levou à decretação da prisão de outros donos de instituições financeiras que atuavam na conversão de dinheiro tradicional para criptomoedas. Dois estrangeiros também estão entre os alvos, sendo que um deles é dono de uma das instituições investigadas.
Uma gerente de uma instituição financeira tradicional também foi presa. Segundo a investigação, ela teria facilitado a abertura de contas utilizadas pelo grupo criminoso e para onde foram inicialmente pulverizados os valores transferidos pela vítima.
Uma das instituições financeiras investigadas movimentou R$ 295 milhões em um único dia na conversão de dinheiro tradicional para criptomoeda. Em São Paulo, uma única empresa apresentou movimentação atípica de R$ 500 milhões durante o período investigado.
No total, foram identificadas transações suspeitas que somam R$ 30 bilhões. A Polícia Civil esclarece que esse valor representa o volume global de movimentações consideradas atípicas e não corresponde ao prejuízo causado às vítimas nem significa que todo o montante seja produto comprovado de crime.
Golpe conhecido como “abate de porcos”
O crime investigado é conhecida internacionalmente como “pig butchering”, ou “golpe do abate de porcos”. Nesse tipo de esquema, os criminosos constroem gradualmente uma relação de confiança com a vítima e criam uma falsa expectativa de lucro antes de induzi-la a realizar aportes cada vez maiores.
A operação recebeu o nome de Criptoabate justamente em referência a esse tipo de golpe. A investigação, desenvolvida por mais de um ano, utilizou análise bancária e telemática, inteligência financeira e rastreamento de ativos virtuais.
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