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Política Boicote

Listas contra comércios petistas circulam em SC após eleição

Discriminar trabalhadores por escolha política é ilegal e pode resultar em indenização. Prints de grupo de Florianópolis incentivam boicotes e demissões por posição política.

28/10/2026 às 11h49
Por: Carneiro News Fonte: Diarinho
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Foto/Reprodução/Redes Sociais
Foto/Reprodução/Redes Sociais

Listas de estabelecimentos apontados como petistas e mensagens que incentivam a demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas circulam em grupos de WhatsApp de Santa Catarina após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo. O Diarinho recebeu prints de um grupo de Florianópolis com orientações para boicotar empresas e não contratar apoiadores do partido. Moradores também relatam casos semelhantes em Itapema e Porto Belo, na Costa Esmeralda. Perseguir ou demitir trabalhadores por suas escolhas políticas é ilegal e pode resultar em punições na Justiça.

As mensagens circulam em um grupo chamado WE Empreendedores Norte da Ilha, de Florianópolis. Uma delas apresenta nomes de estabelecimentos comerciais e recomenda: “Não empreguem petistas”. Outra orienta os participantes a não comprar em comércios associados ao PT. O texto também pede que as pessoas evitem fazer turismo na Bahia.

Não há confirmação de que os estabelecimentos citados tenham ligação com o PT ou apoiem Lula. Também não há comprovação de que as mensagens tenham provocado demissões ou prejuízos aos comerciantes. Por isso, o Diarinho não divulga os nomes das empresas incluídas na lista.

Moradores relatam listas em Itapema e Porto Belo

Na Costa Esmeralda, moradores afirmam que listas semelhantes circularam em Itapema e Porto Belo durante eleições anteriores. Segundo os relatos, os materiais identificavam estabelecimentos por supostas ligações políticas e incentivavam boicotes.

Há ainda relatos de que uma dessas listas estaria sendo atualizada em Itapema após o segundo turno deste ano. A reportagem não teve acesso à suposta versão atualizada e não confirmou quem seria responsável pelo material.

Deputadas também incentivaram demissões

A campanha contra trabalhadores petistas ganhou espaço nas redes sociais após o resultado da eleição presidencial. Publicações passaram a sugerir que empresários investiguem as posições políticas dos funcionários e demitam quem votou em Lula.

Entre os casos estão manifestações das deputadas Jessicão (PL-PR) e Índia Armelau (PL-RJ). Jessicão publicou: “Você tem uma empregada que é petista? DEMITA!”. Já Índia compartilhou uma mensagem que sugeria aos empresários verificar se seus funcionários tinham votado no presidente reeleito.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná abriu uma investigação sobre a publicação de Jessicão por suspeita de assédio eleitoral.

MPT recebeu quase duas mil denúncias

O Ministério Público do Trabalho recebeu 1937 denúncias de assédio eleitoral em todo o Brasil até segunda-feira, dia seguinte ao segundo turno. Desse total, 946 foram registradas entre os dois turnos.

Durante o processo eleitoral, o órgão entrou com 59 ações na Justiça e conseguiu 52 decisões urgentes para proteger a liberdade de voto dos trabalhadores. Também foram firmados 53 acordos com empregadores que se comprometeram a não interferir nas escolhas políticas dos funcionários.

O assédio eleitoral acontece quando alguém usa sua posição de poder no trabalho para ameaçar, pressionar ou constranger funcionários por suas preferências políticas. A prática também pode acontecer por mensagens de WhatsApp e publicações nas redes sociais.

Demitir um trabalhador por apoiar determinado candidato ou partido pode ser considerado discriminação. Dependendo do caso, a empresa pode ser obrigada a pagar indenização e até reintegrar o funcionário ao emprego. Já a divulgação de listas de boicote, por si só, não caracteriza automaticamente assédio eleitoral no trabalho.

Investigações continuam após a eleição

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, afirmou na segunda-feira que o fim das eleições não encerra a apuração das denúncias.

“Nenhum trabalhador pode ser ameaçado, pressionado ou constrangido por causa de suas opiniões políticas ou da escolha de seu candidato”, declarou.

Segundo a Justiça do Trabalho, o país registrou 863 processos relacionados ao assédio eleitoral entre maio de 2023 e outubro de 2026. Desse total, 233 começaram neste ano.

Em agosto, o TST e o MPT lançaram a campanha No Meu Voto Mando Eu, para orientar trabalhadores sobre seus direitos e divulgar os canais de denúncia.

 

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