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Policial Golpe da Kelly

Golpistas que se passavam por investidores do mercado financeiro são presos na região

Esquema da teria lesado mais de 4 mil vítimas num prejuízo de R$ 20 milhões.

19/07/2023 às 18h27
Por: Carneiro News Fonte: Diarinho
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Foto/Divulgação/PC
Foto/Divulgação/PC

19.07 - A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu cinco envolvidos com um golpe de falsos investidores em Balneário Camboriú, Porto Belo, Itapema, Tijucas e São Lourenço do Oeste. A Operação Trapaça ocorreu simultaneamente no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Santa Catarina contra grupo criminoso que lesou pelo menos 4 mil vítimas que achavam que estavam investindo no mercado financeiro, mas na verdade caíram num golpe de R$ 20 milhões.  Os golpistas chegaram a criar uma pessoa fictícia, a Kelly, a quem se referiam no grupo de WhatsApp como sendo a chefe da “Genesis.vet”

Santa Catarina é o local onde a maior parte do grupo criminoso mora. Além dos cinco presos no estado, foram capturadas outras quatro pessoas. Duas continuam foragidas. As prisões foram na semana passada e nesta semana a polícia pediu a prorrogação da prisão temporária.

Se em Santa Catarina, a maior parte do grupo criminoso morava no litoral, no Rio Grande do Sul eles estavam residindo em Santo Antônio das Missões, onde o grupo criminoso centralizou as atividades e lesou centenas de pessoas.

Segundo os delegados Heleno dos Santos e Gerson de Assis, várias vítimas procuraram a polícia gaúcha reclamando de uma empresa que prometia investimentos no mercado de ações com a promessa de altos ganhos.

As vítimas foram atraídas a integrarem grupos virtuais de “investimentos financeiros” muito lucrativos, geridos a partir de uma plataforma digital de investimentos on-line, denominada “Genesis.vet” (Genesis Finance Limited), nome “copiado” em parte de uma empresa do ramo financeiro denominada “Gênesis Investimentos”, que não tem relação nenhuma com o caso.

Com a investigação, a polícia identificou os 11 integrantes do bando. Além disso, as investigações também se concentraram na identificação do patrimônio construído pelos golpistas com o dinheiro desviado e o bloqueio das contas bancárias e imóveis adquiridos pelos criminosos.

A estimativa é de que o grupo criminoso tenha lesado mais de 4 mil vítimas nos três estados, causando prejuízos que superam os R$ 20 milhões. A polícia acredita que novas vítimas vão registrar boletim de ocorrência tanto no Rio Grande do Sul, como em Santa Catarina e em São Paulo.

Como o golpe funcionava

A vítima era convidada a fazer o upload do aplicativo “Genesis.vet” para o seu smartphone, cadastrando em seguida os dados e anexando documentos pessoais. Na sequência, a pessoa recebia um link para aderir a grupos de WhatsApp onde recebia orientações de como investir, havendo especial “pressão” para investirem rapidamente.

De acordo com os delegados, os golpistas mesclavam o uso de aplicativos legítimos com o uso de aplicativos falsos. Havia o uso regular de aplicativos para a conversão de moeda estrangeira, por exemplo, culminando com a transferência de quantias variadas em dinheiro para os criminosos, via pix, TED ou boletos, todos gerados a partir de uma plataforma também regular, tudo de modo a parecer que as transações eram feitas sempre a partir de sites e aplicativos seguros.

O golpe era consumado quando as vítimas usavam os códigos pix e boletos acreditando que estavam realmente fazendo investimentos, quando, na verdade, estavam transferindo os valores diretamente para as contas dos criminosos ou das empresas por eles criadas. Há indicativos de que grande parte do dinheiro era depositado em contas no exterior.

Golpistas se passavam por corretores

Apesar de não terem nenhuma formação na área financeira, os golpistas geralmente se utilizavam de linguagem técnica usada por corretores de investimentos e consultores financeiros, sempre aparecendo em vídeos e imagens postadas nos grupos de WhatsApp como figuras bem-sucedidas, enaltecendo os retornos financeiros excepcionais e rápidos da plataforma “Genesis”.

Segundo a polícia, algumas vezes eles exibiam, ainda, veículos e bens luxuosos supostamente comprados com os investimentos.

A polícia acredita que o grupo criou pelo menos três empresas de fachada. Os golpistas ainda criavam sites falsos, geralmente em provedores do exterior, que parecem legítimos, para onde as vítimas eram atraídas com promessas de altos ganhos.

Os golpistas também criaram uma pessoa fictícia (Kelly), a quem se referiam no grupo de WhatsApp como sendo a chefe da empresa “Genesis.vet”. Em mensagens e áudios postados nos grupos de WhasApp, os golpistas investigados agradeciam a Kelly pelos altos retornos obtidos e pelos bens adquiridos.

 

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