
A retirada dos destroços do navio Pallas pode abrir caminho para uma nova fase de expansão do Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A principal mudança esperada é a ampliação do canal de acesso e da bacia de evolução, permitindo a chegada de navios maiores, com mais capacidade de carga e alinhados à nova realidade da navegação internacional.
Segundo o Porto de Itajaí, a remoção também deve aumentar a segurança das manobras, elevar a produtividade das operações, reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade do complexo portuário e abrir espaço para novos investimentos no setor. A expectativa é preparar a estrutura para receber embarcações de até 366 metros e viabilizar o aprofundamento do canal para 16 metros.
O porto já negocia com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) o financiamento para a retirada do navio Pallas e para o aprofundamento do canal de acesso. Por enquanto, ainda não tem uma data para essa operação ser iniciada. No entanto, um passo importante foi dado na última segunda-feira, quando os estudos técnicos começaram depois da assinatura de um convênio entre o Porto de Itajaí, a Univali e a Autoridade Portuária Federal, em evento na Marina Itajaí. Com investimento de R$ 310 mil do governo federal, o projeto busca solucionar uma limitação histórica do complexo portuário. Segundo o porto, os destroços impedem o aprofundamento daquela área do canal e limitam a ampliação da capacidade operacional. Com a futura remoção do navio e a dragagem de adequação, a expectativa é ampliar a Bacia de Evolução 2 para 530 metros de diâmetro.
“A remoção do Pallas vai significar, automaticamente, um aumento da capacidade da bacia de evolução, assim como do canal de acesso, permitindo que o complexo receba navios de maior porte, com maior capacidade de cargas”, afirmou o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.
Outro desafio será executar a futura remoção sem interromper as operações portuárias. “Nós vamos trocar a roda do carro com ele andando”, comparou Artur. “Nós sabemos que o Porto de Itajaí é a mola propulsora da economia tanto da cidade quanto do estado e sabemos que não podemos, de forma nenhuma, interromper a operação”, completou.
Entrave histórico
O navio Pallas naufragou em 1893 e está entre as boias 9 e 11, perto da bacia de evolução. Conforme o porto, os destroços impedem o aprofundamento daquela área do canal e limitam a ampliação da estrutura usada para as manobras das embarcações. “Há nove anos que a gente tem essa limitação”, destacou o superintendente.
Segundo o professor Jules Souto, responsável pela parte técnica e histórica do projeto, os estudos relacionados ao navio começaram ainda na década de 1990 e ganharam força após a localização precisa da embarcação, confirmada em 2016. “Nosso objetivo é resolver um problema histórico para os municípios de Itajaí e Navegantes, com responsabilidade técnica, respeito ao patrimônio histórico e da forma mais econômica possível”, afirmou Jules.
Segundo Artur, desde que a gestão federal retornou ao comando do porto a remoção do Pallas passou a ser tratada como prioridade estratégica para recuperar a competitividade do complexo portuário. “O Porto de Itajaí voltou a transmitir confiança ao mercado internacional”, elogiou.
Até o fechamento desta matéria, o professor ainda não havia detalhado como será estruturado o processo de retirada do Pallas do fundo do rio. O içamento da embarcação ainda depende de um levantamento subaquático e de uma análise estrutural previstos no escopo do acordo. A mudança na estratégia reduziu o custo da operação, já que todo o trabalho de pesquisa será feito na superfície, logo após a retirada do Pallas do leito do rio.


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