
Uma série de publicações de empresas de Santa Catarina e também do Brasil, avisando sobre a suspenção de ações beneficentes tem chamado atenção nas redes sociais. As publicações começaram a circular um dia após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições 2026.
Os conteúdos se referem ao fim de doações como cestas básicas, doações e participações em ações sociais. Em Joinville, no Norte de Santa Catarina, uma empresa de cópias, fez o comunicado que somou mais de 97 mil curtidas e mais de 20 mil comentários. Outras empresas também em Balneário Camboriú e Criciúma fizeram postagens semelhantes e dividiram opiniões, entre aqueles que apoiam e aqueles que criticaram.
A Casa das Cópias em Joinville, afirmou que estavam cancelando “por tempo indeterminado todos os apoios, patrocínios, participações em ações sociais, rifas, doações e compras institucionais”, escreveu. A empresa alegou como um dos motivos o “cenário atual”, sem especificar o cenário. “Nossa prioridade absoluta é concentrar nossos esforços, recursos e energia na manutenção da nossa operação, na sustentabilidade do nosso negócio e nas famílias que dependem dele”, escreveu.
Outra publicação, de uma empresa doces de Criciúma, a Doces da Ká, também rendeu mais de 100 mil curtidas. “A partir de hoje, a Doces da Ká não realizará novas ações de doação de cestas básicas, brinquedos ou outras contribuições individuais”, escreveu.
A proprietária, Karina Borba, compartilhou que a decisão de encerrar as doações surgiu após uma análise financeira que fez junto à minha gerente. “Diante do cenário que se apresentava, entendemos que era necessário reduzir custos e priorizar a saúde financeira da confeitaria. Recebemos pedidos de ajuda diariamente, mas, como não temos obrigação nem recursos disponíveis para atender a todos, decidimos suspender as contribuições”, disse ao NSC Total.
Segundo ela, ao longo da trajetória eles chegaram a contribuir com iniciativas sociais, como por exemplo, doações de ovos de chocolates para crianças em vulnerabilidade e contribuições para instituições da cidade. Mas decidiram agora “direcionar os esforços às atividades e responsabilidades da empresa”.
Uma loja de departamento de Balneário Camboriú anunciou pelas redes sociais que não fará mais doações de cestas básicas, brinquedos ou qualquer outro tipo de ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade social ou entidades do terceiro setor. A decisão foi divulgada pela Sul Modas, que fica na avenida Palestina, no bairro das Nações. O anúncio dividiu opiniões entre seguidores.
“Informamos que, a partir de hoje, 26/10/2026, não mais promoveremos qualquer tipo de ação que envolva doação de cestas básicas, brinquedos e qualquer tipo de ajuda aos que se dizem ‘necessitados’! Estamos cansados de ajudar quem não quer ser ajudado e prefere viver dos auxílios! Ao longo de 18 anos de história, a Sul Modas contribuiu com diversas ações sociais, doando cestas básicas, agasalhos e brinquedos. Pedimos desculpas às ONGs e projetos sociais que apoiávamos. Certos da compreensão, agradecemos pelos anos de parceria”, publicou a empresa.
Opiniões divididas
Nos comentários da publicação, seguidores relacionaram a decisão ao cenário político e se dividiram entre críticas e apoio. “Que pena, pelo jeito as ações beneficentes não eram gratuitas, era como se fosse uma compra de votos. [...] Prefiro comprar num lugar onde a caridade seja realmente caridosa, independente de quem esteja no governo. Temos que ajudar de coração e não esperando nada em troca, esse é o espírito de solidariedade”, escreveu um internauta.
Outros apoiaram a decisão. “Boa... vou fazer o mesmo”, comentou um seguidor. “Isso aí, quem quiser auxílio pede para o governo”, escreveu outro.
Também houve comentários em tom de ironia. “Não se preocupem. Daqui a pouco o chilique passa”, publicou uma pessoa. Já outra apoiou a empresa: “Estão certíssimos! Chega de passar a mão na cabeça de pessoas que não querem um país melhor!”.
“Comunidade que não quer ser ajudada não tem que ajudar mesmo certíssimos“, disse uma. “Está certíssima, se o Brasil está tão bom assim, não precisam de doações. Que peçam auxílio para o governo”, disse outra.
Por outro lado, também houve críticas. “A caridade não se define por lado partidário. A caridade vem de dentro, mostra nosso caráter de oferecer aquilo que nossos corações está cheio“, escreveu uma pessoa. “Se era ação social para ajudar o próximo então não era realizada com amor. Pois, tudo que fazemos com amor, dura para sempre!”, lamentou outra.
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