
01.06 - Seis integrantes de uma quadrilha de roubo a banco foram presos nesta quinta-feira em uma operação da Divisão de Investigação Criminal de Itajaí, com apoio da Polícia Militar. As prisões ocorreram em Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú e Tijucas. Com o grupo foram apreendidas quatro armas, sendo três legalizadas em nomes de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CACs), e cinco simulacros de arma de fogo.
Nos três roubos praticados na Sicredi, Viacredi e CredCrea, os assaltantes roubaram aproximadamente meio milhão de reais. Os presos tinham idades entre 25 e 40 anos. As prisões ocorreram no bairro Dom Bosco, em Itajaí, no bairro das Nações, em BC, no Cedro, em Camboriú, e no Joáia, em Tijucas, além de duas ordens judiciais terem sido cumpridas no presídio da Canhanduba.
Um sétimo suspeito foi autuado em flagrante pelo crime de posse irregular de arma de fogo. Durante o cumprimento de uma das ordens de prisão, um dos bandidos resistiu à prisão e outro estava com grana falsa.
Doze ordens judiciais de busca e apreensão foram cumpridas nos municípios, com a apreensão de um rifle, um revólver calibre 380 e duas pistolas, além de cinco simulacros de arma de fogo, máscara usada para cometer os roubos, R$ 5 mil em dinheiro, aparelhos eletrônicos, quatro veículos, notas e documentos falsos em reais e dólares.
Os presos desta quinta-feira foram indiciados pelos crimes de roubo qualificado e associação criminosa, sendo encaminhado ao Complexo Penitenciário da Canhanduba. As investigações continuam para que a polícia chegue a outros dois membros da quadrilha e para que eles investiguem outros crimes, como a lavagem de dinheiro.
“Apreendemos veículos de alguns dos suspeitos. Faremos investigação de lavagem de dinheiro em cima destes veículos e outros vamos pedir o sequestro judicial para que sejam leiloados e os valores ressarcidos aos bancos que foram vítimas dos assaltos”, informou o delegado Eduardo Ferraz, coordenador da operação.
Segunda etapa
Esta é a segunda fase da operação para prender os responsáveis por pelo menos três roubos a bancos da região. Na primeira fase de operação, em julho de 2022, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e oito de busca, com apreensão de dois fuzis calibre 5,56, duas pistolas, uma carabina CTT .40, um kit drone, coletes balísticos e equipamentos táticos.
Em todos os roubos os suspeitos agiam da mesma maneira: armados com pistolas e armas longas, atacavam as agências no começo do horário do expediente bancário quebrando o vidro com marreta e roubado a grana dos caixas, além de arma de fogo e colete balístico dos vigilantes.
O major da PM e chefe de planejamentos e operações do 12º Batalhão, Juarez Cesar Scarant Júnior, destaca que a quadrilha é composta por moradores da região e que vem cometendo crimes desde 2021. “Esses crimes chamaram a atenção das autoridades policiais pelo modus operandis e pelos armamentos empregados que não é típico da nossa região. A ocorrência destes delitos, em um curto espaço de tempo, acabou chamando a atenção e demandando que as forças de segurança atuassem para mapear e penalizar os envolvidos”, informou o major.
Somente um dos presos pela polícia não possui ficha criminal. “Eles já eram conhecidos do meio policial, tem uma vasta ficha criminal, apenas um não tinha passagem. Os outros eram bem conhecidos pelas mais variadas práticas de delitos: tráfico de drogas, receptação, roubos e agora vão responder na justiça pelos roubos aos bancos”, completou.
Apesar de terem sido apreendidas notas falsas com o bando, a polícia não tem nenhum indicativo de que eles estivessem produzindo dinheiro falsificado. “Mas eles tinham um valor considerável de notas de dólares e reais falsas”, informou o major. O valor de grana falsa apreendido não foi divulgado.
Armas usadas em roubos eram legalizadas e pertenciam a CAC
Chamou a atenção da polícia o fato de que, das quatro armas apreendidas nesta quinta-feira, apenas uma era ilegal. As outras três, um rifle e duas pistolas, eram armas legalizadas, pertencentes a um Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e usadas para cometer os crimes. “Desde que percebemos essa dinâmica dos criminosos de Itajaí, de estarem usando armas legalizadas para o cometimento de crimes, nós convidamos o Exército a participar das investigações. Posteriormente, todas essas informações são repassadas para eles fazerem procedimentos administrativos contra os CACs”, informou o delegado.
Assim que a polícia comunica que a arma em nome de um CAC estava sendo usada para crimes, segundo o delegado Eduardo Ferraz, eles perdem o registro e não podem mais adquirir nem munições e nem armas de forma legalizada. “Essa prática ainda não é muito incomum. Eles se utilizam de pessoas que não possuem nenhum tipo de registro criminal para que possam tirar o registro como CAC, ter acesso a essas armas e desviar para o cometimento de crimes. Não é algo comum, mas acende um alerta”, finalizou o delegado.
Roubos e prejuízo alto
Viacredi Itaipava
No dia 2 de fevereiro, três assaltantes invadiram a agência da cooperativa Viacredi, no bairro Itaipava, renderam os funcionários e fugiram levando R$ 30 mil em dinheiro e o revólver calibre 38 do vigilante, além do colete à prova de balas. Os criminosos estavam armados com pistolas e armas longas. Eles usaram uma marreta para estourar o vidro lateral da porta giratória e invadiram a cooperativa. O piloto de fuga do grupo estava em frente à agência em um Gol branco. O bando abandonou o carro e fugiu em um Voyage branco que estava à espera.
Roubo em Brusque
O bando ainda planejava cometer um roubo a agência bancária no município de Brusque em junho de 2022.
Sicredi do São Vicente
No dia 27 de outubro de 2021, um trio usando colete à prova de balas invadiu a agência da Sicredi, na rua Estefano José Vanolli, no bairro São Vicente. Usando uma marreta e dando chutes para arrombar a porta da agência, eles invadiram a cooperativa. Os bandidos ficaram apenas três minutos na agência e roubaram R$ 190 mil em dinheiro dos caixas eletrônicos. Eles fugiram em um Renault Megane prata que estava estacionado perto. Os assaltantes abandonaram o carro às margens do rio Itajaí-Mirim e fugiram a pé.
CredCrea da Praia Brava
No dia 6 de julho de 2021, a quadrilha roubou R$ 100 mil da agência da CredCrea, na rodovia Osvaldo Reis, na Praia Brava. A invasão dos criminosos foi filmada pelas câmeras de monitoramento. O crime durou apenas três minutos e começou às 9h19, antes da cooperativa abrir as portas ao público. Os bandidos tentaram quebrar a porta de vidro com uma marreta, mas ela quebrou. Um dos criminosos usou o cabo da marreta pra arrebentar a porta e invadir a agência. Armados, renderam sete funcionários. Fazendo muitas ameaças, os bandidos foram até o cofre e roubaram o malote. Eles fugiram num C4 Palace, que ficou estacionado em frente à cooperativa com um comparsa a bordo. O carro foi abandonado em Cabeçudas, onde eles fugiram em outros veículos.
Texto: Franciele Marcon
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